Bolsonaro ficará internado e passará a noite no hospital após crise de pressão baixa, diz equipe médica
Jair Bolsonaro (PL) em audiência no STF - Deigo Herculano/Reuters
O ex-presidente Jair Bolsonaro vai ficar internado e passará a noite no hospital, informou nesta terça-feira (16) a equipe médica que está cuidando dele, em Brasília.
Bolsonaro deu entrada no hospital mais cedo, com crise de pressão baixa, soluços e vômitos.
“O ex-presidente Jair Messias Bolsonaro, apresentou neste momento episódio de mal-estar, pré-síncope e vômitos com queda da pressão arterial, sendo necessário ir à emergência do Hospital DF Star”, informou a defesa do ex-presidente.
Bolsonaro cumpre prisão domiciliar em casa, por determinação do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF). Ele é investigado por tentar atrapalhar o processo sobre golpe de Estado — por isso Moraes ordenou a prisão.
Além disso, na semana passada, o ex-presidente foi condenado pelo STF a 27 anos e 3 meses de prisão pela trama golpista que, entre o fim de 2022 e o início de 2023 tentou mantê-lo no poder e impedir a posse do presidente Lula.
Na porta do hospital, um dos filhos de Bolsonaro, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), explicou a situação do pai. Afirmou que Bolsonaro sentiu o diafragma travar, o que o deixou sem ar e levou ao vômito, para liberar a via respiratória.
Flávio Bolsonaro chama Moraes de terrorista e pede trégua por quadro de saúde do pai
O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) chamou o ministro Alexandre de Moraes, do STF (Supremo Tribunal Federal), de terrorista nesta terça-feira (16) e pediu “uma trégua” pelo quadro de saúde do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).
“É um massacre psicológico. Queria fazer um pedido de público. Até terrorista dá trégua em uma guerra. Estou pedindo para o terrorista dar uma pausa um pouco. Deixa as instituições voltarem a funcionar, deixa o presidente Bolsonaro se recuperar pelo menos, já que não teve nem oportunidade de se recuperar depois da última cirurgia”, disse.
A declaração de Flávio ocorreu em frente ao hospital onde o pai está internado para exames, em Brasília. O senador pediu uma pausa para que o pai se recuperasse “mentalmente” e acrescentou que fisicamente ele ainda está “arrebentado” por conta da facada de 2018.
Segundo Flávio, os soluços do ex-presidente aumentaram e o levaram a fortes vômitos. Em um dos episódios, disse, Bolsonaro ficou cerca de dez segundos sem conseguir respirar e foi socorrido pela esposa, Michelle Bolsonaro.
O senador também defendeu uma anistia “total, ampla, irrestrita e imediata”, mas disse querer que o Congresso Nacional comece a votar um projeto de lei sobre o tema, seja qual for, para que o plenário decida a abrangência.
Flávio voltou a minimizar a invasão e a destruição das sedes dos Três Poderes em 8 de janeiro de 2023, e chamou os ataques de ato de depredação do patrimônio público.
Ele ainda criticou ministros do Supremo que já afirmaram que a anistia, neste caso, seria inconstitucional. O senador mencionou o decano do tribunal, Gilmar Mendes, dizendo não saber o que está acontecendo com o ministro.
Histórico médico
No domingo passado (14), o ex-presidente foi ao hospital realizar procedimentos para retirar lesões na pele. Segundo o boletim médico divulgado pelo hospital, foi realizada a “retirada cirúrgica de lesões cutâneas” em Bolsonaro.
“O procedimento cirúrgico foi realizado sob anestesia local e sedação, e transcorreu sem intercorrências. Foi realizada a exerése marginal de oito lesões de pele, localizadas no tronco e no membro superior direito”, disse o boletim do hospital no domingo.
Além disso, segundo o hospital, será realizada biópsia das lesões da pele retiradas no domingo e uma avaliação do tratamento complementar para Bolsonaro.
Segundo exames laboratoriais, Bolsonaro está com anemia e uma tomografia do tórax mostrou “imagem residual de pneumonia recente por broncoaspiração”. O hospital afirmou que Bolsonaro recebeu reposição de ferro por via endovenosa.
Em abril, Bolsonaro fez mais uma cirurgia no intestino, em decorrência das complicações após a facada que levou na campanha eleitoral de 2018.