Para empresários, chefe do MEC diz que salário não é maior demanda de professor
Ministro Camilo Santana. Foto: Luis Fortes/MEC
Com um piso salarial de R$ 4.867, ou três salários mínimos, o ministro da Educação, Camilo Santana, afirmou a empresários do setor que uma de suas principais metas é valorizar a carreira do professor. Para ele, no entanto, o salário inicial do professor da rede básica de ensino não é o principal problema.
“A primeira reclamação que o professor faz não é sobre salário, mas, sim, falta de reconhecimento,” disse o ministro durante um almoço promovido pela Esfera Brasil na sexta (26), em São Paulo.
Santana fez a declaração mencionando pesquisas realizadas com a categoria, mas não as especificou.
“Hoje é uma ocupação vista como de segundo escalão. E, para mim, talvez seja a profissão mais importante da nação, porque todos nós passamos por um professor. Queremos criar um movimento de reconhecimento.”
Para isso, o chefe do MEC citou medidas em andamento para fortalecer a carreira, como o “Enem dos Professores”, exame nacional que avalia a qualidade dos recém-formados em licenciatura, a criação de uma carteira nacional da categoria, e a manutenção do piso do magistério, que prevê salário a partir de R$ 4.867.
O piso é reajustado por uma decisão do ministro e o cálculo não segue a inflação medida pelo IPCA e, sim, o crescimento dos recursos do Fundeb (Fundo de Desenvolvimento da Educação Básica) .
Para 2025, Santana garantiu aumento de 6,27%. As projeções para 2026 giram em torno de 1%.
Outro problema é fazer com que os municípios paguem o piso. Com a falta de recursos direcionados pelo Fundeb, um terço das prefeituras descumpre a regra.
Pé de meia do professorado
O ministro mencionou ainda iniciativas que integram o programa Mais Professores, como o selo TôComProf, que inclui serviço que oferece descontos e vantagens para a categoria com auxílio da iniciativa privada, e uma nova versão do Pé de Meia para jovens que ingressam na licenciatura, com incentivos financeiros para quem mira a docência como profissão.
Os empresários presentes apoiaram as ações do ministro. Marcelo Bueno, co-fundador da Ânima Educação, afirmou que a empresa trabalha pela valorização do docente no Brasil.
“Quem dos nossos filhos ou netos aqui, quer ser professor? Por quê? Nós temos que encarar isso de frente”, afirmou. “O professor tem que ser herói, tem que ser referência”, disse Bueno.
O grupo disse ter assumido, publicamente, o compromisso com o TôComProf.