Bons ventos trazem 2022 (por Mirian Guaraciaba)
Gabriel Boric. Foto: Reprodução/Instagram
A vitória de Gabriel Boric no Chile é bom presságio para o Brasil faminto e doente. José Antônio Kast, de extrema direita, defensor de Pinochet, teve a hombridade de admitir a derrota quando ainda se contabilizavam os votos. Eleições limpas, legitimadas.
Simpatizante de Bolsonaro, Kast desejou sorte a Boric, prometeu respeito ao presidente eleito. Se Boric fará um governo, com sua pouca experiência, a história dirá. Aos 35 anos, é hoje a melhor opção para o Chile de Allende e Bachelet.
O Brasil de Lula comemora a vitória de Boric. Vamos chegar lá. Em 2022, soterraremos um dos piores governos da nossa crônica política. Os anos Bolsonaro, em que negou-se tudo, até nossa história, irão para os anais com desprezo e horror para que nunca mais se repitam.
Bolsonaro trouxe fome, desemprego, violência. Estimulou preconceitos. Por tudo isso, as últimas pesquisas de opinião indicam rejeição recorde do Capitão, ainda que venha com medidas populistas anunciadas na véspera de ano eleitoral.
A hora e a vez no Brasil em 2022, como no Chile, também serão da esquerda, ou centro-esquerda. A provável aliança com Geraldo Alckmin favorecerá Lula. O Datafolha do último dia 17 mostra que a entrada do ex-governador deve aumentar a possibilidade de voto no candidato do PT. Alckmin desligou-se do PSDB, e anunciará em breve seu novo partido.
Aliança de craque. A cara de Lula, único político hoje no Brasil capaz de acertos entre partidos antagônicos. A chapa do PT-Alckmin poderá representar a primeira, segunda e terceira vias. Pelo andar do coche e os atuais indicadores de pesquisas de tendência do eleitorado, poderá não haver concorrente à altura.
2022 promete.
Não será um ano fácil. A disseminação de notícias falsas, alimentando o ódio e o preconceito, produzidos por bolsonaristas, vai tirar o sono de candidatos e eleitores.
Que não tire nossa esperança. Será preciso força, equilíbrio e muita reza para chegarmos inteiros às eleicoes de outubro. Que o Natal venha nos fortalecer. Aos eleitores – e leitores – votos de muita fé em dias melhores. Um Natal leve, de alegria, apesar de Bolsonaro.
Mirian Guaraciaba é jornalista