Em fórum na Itália, Lula afirma que fome é ‘inimiga da democracia e do pleno exercício da cidadania’

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Presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Foto: 20/03/2023REUTERS/Adriano Machado

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) discursou na abertura do Fórum Mundial da Alimentação, em Roma, na Itália.

Na ocasião, Lula mencionou que a fome é “irmã da guerra” e “inimiga da democracia e do pleno exercício da cidadania”.

O presidente brasileiro ainda criticou barreiras e políticas protecionistas de países ricos (leia mais abaixo).

Lula também afirmou que “da tragédia em Gaza à paralisia da Organização Mundial do Comércio (OMC), a fome virou sintonia do abandono das regras e das instituições multilaterais” (veja vídeo acima).

O presidente brasileiro já fez várias críticas à postura de Israel na Faixa de Gaza, ao mencionar que o país cometeu um “genocídio” contra o povo palestino.

O conflito na região foi iniciado após um ataque terrorista do Hamas no território israelense, há dois anos. À época, o Brasil condenou o ataque.

Neste momento, prevalece o acordo de cessar-fogo entre Israel e Hamas, que resultou na libertação de 20 reféns israelenses em Gaza nesta segunda.

Trabalho contra a fome

Durante o Fórum em Roma, o petista ainda parabenizou o trabalho da Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO) e afirmou que o Brasil tem orgulho de fazer parte da história da organização.

“Roma é sede de três agências que salvam vidas”, afirmou. “O trabalho da FAO, do Programa Mundial de Alimentos e do Fundo Internacional para o Desenvolvimento da Agricultura não deixa dúvidas de que o mundo seria um lugar pior sem o multilateralismo”, prosseguiu.

Lula é um defensor da cooperação entre os países para resolver problemas comuns, além da reforma de organismos internacionais como a própria Organização das Nações Unidas (ONU). A posição é divergente a dos Estados Unidos que, nos últimos anos, adotou uma postura mais protecionista.

“A fome é irmã da guerra, seja ela travada com armas e bombas ou com tarifas e subsídios. Conflitos armados, além do sofrimento humano e da destruição da infraestrutura, desorganizam cadeias de insumos e alimentos. Barreiras e políticas protecionistas de países ricos desestruturam a produção agrícola no mundo em desenvolvimento”, mencionou.

A fala de Lula ocorre em um momento em que o Brasil busca um acordo com os Estados Unidos com relação ao tarifaço imposto sobre produtos brasileiros.

Na semana passada, Lula e o presidente norte-americano, Donald Trump, conversaram por telefone, ocasião em que o presidente brasileiro pediu para que Trump revogasse a medida — em vigor desde 6 de agosto.

Além do Brasil, vários outros países do mundo sofrem com as tarifas de importação impostas pelos Estados Unidos.

Problema político

O presidente brasileiro frisou também que a fome é um problema político. Diante disso, destacou que o combate à fome e à pobreza é o principal pilar da política externa brasileira.

Lula voltou a pedir para que as nações coloquem os “pobres no orçamento” e destacar que o Brasil saiu do Mapa da Fome.

“Em 2024, alcançamos a menor proporção de domicílios em situação de insegurança alimentar grave da nossa história. Registramos, ainda, a menor proporção de domicílios com crianças menores de 5 anos em situação de insegurança alimentar grave desde 2004. Estamos interrompendo o ciclo de exclusão”, argumentou.

“Um país soberano é um país capaz de alimentar seu povo. A fome é inimiga da democracia e do pleno exercício da cidadania. É possível superá-la a por meio da ação governamental. Mas governos só podem agir se dispuserem de meios. Por isso, ampliar o financiamento ao desenvolvimento, reduzir os custos de empréstimos, aperfeiçoar sistemas tributários e aliviar a dívida dos países mais pobres são medidas cruciais. Não basta produzir. É preciso distribuir”, emendou.

Viagem para Roma

Lula desembarcou em Roma no domingo (12) para participar da abertura do Fórum Mundial da Alimentação 2025 — principal evento anual da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO).

A visita do presidente marca as comemorações pelos 80 anos de criação da FAO e ocorre em um momento simbólico, meses após o anúncio da saída do Brasil do Mapa da Fome, de acordo com o relatório “O Estado da Segurança Alimentar e Nutricional no Mundo (SOFI 2025)”, divulgado em julho.

A edição do fórum deste ano conta com uma série de atividades comemorativas e de reconhecimento de boas práticas em segurança alimentar e agricultura sustentável.

A participação do presidente Lula no evento foi reafirmada em julho, logo após a divulgação da saída do país do Mapa da Fome.

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