Israel realiza ‘ataque direcionado’ em Gaza durante cessar-fogo
Vista aérea mostra a destruição em um bairro residencial na Faixa de Gaza em meio a cessar-fogo entre Israel e Hamas - Dawoud Abu Alkas - 25.out.25/Reuters
Em uma possível violação do acordo de cessar-fogo entre Israel e o Hamas, forças israelenses realizaram um “ataque direcionado” contra um alvo no centro da Faixa de Gaza no sábado (25). Segundo Tel Aviv, o bombardeio mirou um membro do grupo terrorista Jihad Islâmica que planejava atacar tropas israelenses.
Testemunhas em Gaza disseram à agência de notícias Reuters que viram um drone atingir um carro e incendiá-lo. Médicos locais informaram que quatro pessoas ficaram feridas, mas não há relatos de mortes.
De acordo com o major Rafael Rozenszajn, porta-voz das Forças Armadas de Israel, o ataque não se tratou de quebra do acordo. “Ações preventivas contra ameaças concretas e iminentes são legítimas”, disse. “Quando temos informações de inteligência sobre grupos terroristas planejando atacar nossas tropas, não vamos esperar ser atacados, como ocorreu há alguns dias, quando dois soldados foram mortos, para reagir.”
Testemunhas disseram separadamente que tanques israelenses bombardearam áreas orientais da Cidade de Gaza, a maior área urbana da Faixa de Gaza. Procurados, os militares israelenses não responderam sobre este ataque até a publicação deste texto.
Vários sites de mídia israelenses disseram que Israel, revertendo uma política de proibição de entrada de forças estrangeiras, permitiu que oficiais egípcios entrassem na Faixa de Gaza para ajudar a localizar os corpos de reféns capturados no ataque liderado pelo Hamas às comunidades israelenses em 7 de outubro de 2023, que desencadeou a guerra.
Como parte do acordo de cessar-fogo, o Hamas disse que devolverá todos os reféns que sequestrou, mas os restos mortais de 18 deles ainda estão no território. Israel acusa o grupo terrorista de mentir sobre a dificuldade de recuperá-los e protelar sua devolução, enquanto o Hamas diz precisar de maquinário pesado para procurar os cadáveres em Gaza, território reduzido a escombros após dois anos de bombardeios israelenses.
A devolução dos reféns, vivos e mortos, faz parte da primeira fase do acordo patrocinado pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. A diplomacia americana segue aplicando pressão sobre o governo Binyamin Netanyahu para que o acordo permaneça de pé —somente nessa semana, o vice-presidente, J. D. Vance, e o secretário de Estado, Marco Rubio, estiveram em Jerusalém com esse objetivo.
Mediadores como Qatar e Turquia, que pressionaram o Hamas a concordar com a trégua, pedem agora que o tratado avance para a próxima fase. Ela prevê a retirada completa da presença militar israelense de Gaza e a entrada desimpedida de ajuda humanitária e pessoas, o que deve possibilitar o acesso da imprensa internacional ao território.
Secretário de Trump diz que presença militar de Israel em Gaza não deve ser permanente
O secretário de Estado americano, Marco Rubio, disse no sábado (25) que não prevê uma divisão permanente da Faixa de Gaza, apesar de as tropas israelenses permanecerem em uma faixa no perímetro do território.
Após o cessar-fogo entre Israel e o grupo terrorista Hamas, costurado pelo governo Trump, entrar em vigor, as forças israelenses se retiraram para trás de uma “linha amarela”, o que as deixa no controle de cerca de metade da área total Faixa de Gaza.
Rubio afirmou que uma força internacional que os Estados Unidos e mediadores regionais tentam formar se mobilizaria para reforçar a segurança em todo o território palestino.
“Acredito que, em última análise, o objetivo da força de estabilização seja mover essa linha até que, esperamos, ela cubra toda a Faixa de Gaza, o que significa que todo o território estará desmilitarizado”, disse Rubio, no avião que o levou de Israel ao Catar.
“Quanto mais se desmilitarizar a Faixa de Gaza, quanto mais se eliminar o terrorismo, mais ela se parecerá com uma zona verde, e essa linha vai se deslocar. Este é o plano a longo prazo. Os israelenses deixaram bem claro que não têm interesse nenhum em ocupar a Faixa de Gaza”, acrescentou o secretário.
Rubio antecipou que o general Dan Caine, oficial americano de patente mais alta, deve visitar Israel na próxima semana.
Demarcação
Na última segunda-feira (20), Israel começou a demarcar fisicamente a linha amarela em Gaza com blocos de concreto e postes.
A demarcação ocorre após relatos de confrontos em Gaza que testam a força do acordo de cessar-fogo.
Disparos israelenses mataram três pessoas perto de uma linha de cessar-fogo em Gaza no início da semana, disseram à agência Reuters médicos que atuam no território.
Moradores da Cidade de Gaza disseram estar confusos sobre a localização da linha, já que as marcações físicas ainda não foram estabelecidas ao longo da maior parte do trajeto.
Com Reuters