Peru teme fuga de venezuelanos do Chile com eleição, decreta emergência e militariza fronteira
José Antonio Kast, candidato da extrema direita no pleito chileno, durante debate em Santiago; sua possível vitória tem impulsionado a saída de migrantes rumo ao Peru - Rodrigo Arangua - 27.nov.25/AFP
O Peru declarou estado de emergência na fronteira com o Chile e anunciou que reforçará os controles aduaneiros com militares. A medida foi tomada pelo temor de que haja uma fuga em massa de migrantes em situação irregular do território chileno, em especial venezuelanos, no caso de vitória do ultradireitista José Antonio Kast nas eleições do dia 14 de dezembro.
O decreto será válido por 60 dias e vigorará nos distritos fronteiriços de Palca, Tacna e La Yarada-Los Palos, na região de Tacna (sul), diante de uma eventual chegada de centenas de migrantes. Kast falou, ao longo de sua campanha, em expulsar migrantes que não estiverem regularizados.
O objetivo do estado de emergência servirá também “para enfrentar a criminalidade e outras situações de violência”, indica a norma.
“A Polícia Nacional do Peru mantém o controle da ordem interna, com ações de apoio das Forças Armadas”, acrescenta.
O ministro do Interior peruano, Vicente Tiburcio, viajou para a fronteira em Tacna, de onde declarou à rádio RPP que “o estado de emergência vigorará por 60 dias” a partir de 29 de novembro.
Cerca de 50 soldados do Exército serão deslocados imediatamente para o posto fronteiriço peruano Santa Rosa, indicou o ministro.
Outros 50 efetivos do Exército se juntarão nos primeiros dias de dezembro, declarou.
O canal peruano rádio Tacna divulgou imagens de migrantes com crianças nos braços na estrada perto da passagem fronteiriça.
Mais cedo, o ministro chileno de Segurança, Luis Cordero, disse que “ocorreu uma concentração de pessoas migrantes que desejam abandonar o país e tiveram dificuldades em sua entrada no Peru”. Cordero não especificou o número de migrantes aglomerados no local.
Kast é o favorito para vencer o segundo turno no Chile contra a esquerdista Jeannette Jara. Ele promete expulsar os 330.000 imigrantes em situação irregular, em sua maioria venezuelanos, aos quais vincula com a onda de insegurança no país.