Após morte de jovem por ataque de leoa, zoológico de João Pessoa vai abrir na quinta (18) com visitação liberada

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Parque Arruda Câmara. Foto: Rafael Passos

O Parque Zoobotânico Arruda Câmara, a Bica, em João Pessoa, será reaberto para visitação na próxima quinta-feira (18), com horário de funcionamento das 9h às 16h. O local estava fechado após a morte de um jovem que entrou no recinto da leoa e acabou atacado pelo animal, em 30 de novembro.

Inicialmente, o Parque informou que a reabertura do zoológico ocorreria com quantidade limitada de visitantes. No entanto, na segunda-feira (15), a Prefeitura de João Pessoa informou que não haverá restrição de público e que a visitação acontecerá normalmente.

O Parque também divulgou que o local vai fechar somente nos dias de segunda e terça, funcionando de quarta a domingo.

Para a reabertura do Parque foi implementado um plano que, de acordo com a Prefeitura de João Pessoa, deve assegurar maior segurança em todas as áreas do equipamento ambiental.

Entre as ações adotadas no plano de retomada estão o reforço das barreiras físicas de proteção, a readequação dos percursos de visitantes, o fortalecimento da vigilância permanente, a definição de protocolos específicos para recintos de animais silvestres, especialmente felinos, além do aprimoramento das rotinas de manejo e bem-estar animal.

Gerson de Melo Machado, de 19 anos, morreu após entrar na jaula de uma leoa na Paraíba. — Foto: Reprodução
Gerson de Melo Machado, de 19 anos, morreu após entrar na jaula de uma leoa na Paraíba. — Foto: Reprodução

Em 4 de dezembro, a Polícia Civil afirmou que não enxerga falhas de segurança no local do incidente, e considera o ocorrido como um fato atípico. A delegada Josenise Andrade afirmou que, segundo as informações já apuradas, o recinto da leoa obedece todos os critérios técnicos.

Josenice ressaltou que exames de perícia foram feitos no recinto da leoa e no corpo de Gerson de Melo. A delegada também solicitou as imagens de câmera de segurança no local.

O Ministério Público da Paraíba (MPPB) tem dois procedimentos de investigação abertos em relação ao zoológico. O primeiro apura as medidas adotadas pelos órgãos da administração municipal após a morte de Gerson. O outro não tem relação direta com o caso e investiga possíveis irregularidades ambientais apontadas em relatório da Superintendência de Administração do Meio Ambiente (Sudema).

Entenda o caso

Um vídeo mostra o momento em que Gerson entrou no recinto de uma leoa no zoológico Parque Arruda Câmara, no dia 30/11. O animal reage e o homem acaba morrendo em decorrência dos ferimentos. As imagens, que circulam nas redes sociais, registram inclusive o ataque do animal ao invasor.

No vídeo é possível observar Gerson subindo por uma estrutura lateral da jaula, e, em seguida, ele usa a árvore do recinto da leoa como apoio para entrar no espaço. Logo após, é atacado pelo animal.

De acordo com informações repassadas à TV Cabo Branco, ele tinha transtornos mentais. Em nota, a Prefeitura de João Pessoa informou que o homem escalou rapidamente uma parede de mais de 6 metros, passou pelas grades de segurança, usou uma árvore como apoio e entrou no recinto da leoa.

A prefeitura disse que já começou a apurar as circunstâncias do caso, manifestou solidariedade à família da vítima e afirmou que o espaço segue normas técnicas e de segurança.

A Polícia Militar e o Instituto de Polícia Científica da Paraíba (IPC) foram acionados para o local do ocorrido. O zoológico foi fechado após o ataque e as visitas foram suspensas. Ainda não há previsão para reabertura. No momento em que o homem entrou na jaula, o parque estava aberto e recebia visitantes.

Justiça determinou internação dele mais de uma vez

A Justiça determinou, por mais de uma vez, que Gerson de Melo Machado, de 19 anos, fosse internado em uma instituição de longa permanência.

O portal teve acesso a uma decisão de 30 de outubro, do juiz Rodrigo Marques de Silva Lima, e a juíza Conceição Marsicano disse à TV Cabo Branco que também determinou a medida.

Na decisão, do juiz Rodrigo Marques de Silva Lima, Gerson foi colocado como inimputável por ter esquizofrenia. Pela gravidade de seu caso, a decisão diz que o tratamento ambulatorial era insuficiente, sendo necessária uma internação.

“O tratamento ambulatorial seria insuficiente para conter o ímpeto perigoso do réu e para garantir a eficácia do tratamento psiquiátrico inicial. A internação, em Hospital de Custódia e Tratamento Psiquiátrico (HCTP), é a medida mais adequada para resguardar a ordem pública e,principalmente, assegurar a Gerson de Melo Machado o tratamento”.

A juíza Conceição Marsicano informou à TV Cabo Branco que também solicitou o acompanhamento especializado de Gerson. “Ele foi encaminhado para o CAPS, porque ele tem atestado, ele tem laudo nesse sentido. As condições, qual o procedimento que se dá lá, aí fica por conta do órgão técnico, que é quem fiscaliza tudo e aí teria obrigação de acompanhar, não só acompanhar, penso que iria além”, explicou a juíza.

Leoa não será sacrificada

Leona, leoa que matou homem que invadiu recinto dela no zoológico de João Pessoa — Foto: Reprodução/PMJP
Leona, leoa que matou homem que invadiu recinto dela no zoológico de João Pessoa — Foto: Reprodução/PMJP

Leona, leoa que matou Gerson após ele invadir o recinto dela no Parque Arruda Câmara, conhecido como Bica, em João Pessoa, no domingo (30), nasceu no próprio zoológico, há 19 anos, e não vai ser sacrificada. Segundo a direção da Bica, Leona está recebendo cuidados pela equipe técnica pois passou por um nível elevado de estresse.

leoa ficou “estressada” e em “choque” no dia do ataque. A informação foi confirmada pelo veterinário do parque, Thiago Nery. Segundo Nery, o animal passou por treinamentos que ajudaram a equipe a contê-lo sem uso de armas ou tranquilizantes. “Ele obedeceu e voltou para o recinto, mas houve demora porque estava muito estressado e em choque”, explicou.

O ataque ocorreu durante o horário de funcionamento do parque e foi registrado por visitantes que estavam no local. Segundo a prefeitura de João Pessoa, o homem escalou uma parede de mais de 6 metros, passou por grades de proteção e usou uma árvore como apoio para acessar o recinto do animal.

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