Veja o que se sabe sobre as interceptações de navios feitas pelos EUA no Caribe

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Imagem de satélite mostra o navio-tanque Skipper, o primeiro capturado pelos EUA na ofensiva contra a Venezuela - Satellite image ©2025 Vantor/via Reuters

A campanha do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, para interceptar embarcações que transportam petróleo da Venezuela, uma parte crescente de sua pressão contra o regime de Nicolás Maduro, tomou um rumo incomum no fim de semana.

No mar do Caribe, no último sábado (20), a Guarda Costeira dos EUA tentou interceptar um petroleiro chamado Bella 1 que, de acordo com as autoridades, não estava hasteando uma bandeira nacional válida, tornando-o um navio apátrida sujeito a inspeção sob a lei internacional.

As autoridades americanas afirmam que possuíam um mandado de apreensão para o navio-tanque com base em seu envolvimento anterior no comércio de petróleo do Irã, mas que a embarcação se recusou a se submeter e partiu.

Veja o que se sabe sobre o caso.

O navio fugiu para o oceano Atlântico

Dados de rastreamento de navios mostraram que o Bella 1 estava a caminho de carregar petróleo bruto venezuelano e não transportava carga. O navio está sob sanções dos EUA desde o ano passado por transportar petróleo iraniano, que as autoridades dizem ter sido usado para financiar o terrorismo.

O Bella 1 ainda não havia entrado em águas venezuelanas e não estava sob escolta naval. A carga que estava programada para recolher havia sido comprada por um empresário panamenho recentemente colocado sob sanções por Washington devido a ligações com a família Maduro, de acordo com dados da empresa estatal de petróleo da Venezuela.

Forças americanas abordaram o Bella 1 no final do sábado, mas o navio se recusou a ser inspecionado, virando-se e criando o que um funcionário dos EUA descreveu como “uma perseguição ativa”.

No domingo (21), o Bella 1 ainda estava fugindo do Caribe e transmitindo sinais de socorro para navios próximos, de acordo com mensagens de rádio analisadas pelo The New York Times e publicadas pela primeira vez na internet por um blogueiro marítimo. O navio estava viajando para nordeste em direção ao oceano Atlântico, a mais de 480 quilômetros de distância de Antígua e Barbuda, mostraram as mensagens. Até domingo à noite, o Bella 1 havia enviado mais de 75 alertas.

Não está claro quais medidas os Estados Unidos estão tomando para perseguir o navio.

O petroleiro foi um dos dois interceptados pelos EUA no fim de semana passado

A Guarda Costeira parou e apreendeu no sábado o Centuries, um navio-tanque que havia carregado recentemente petróleo venezuelano, supostamente para um comerciante chinês. As autoridades dos EUA não tinham um mandado de apreensão para o navio com bandeira panamenha e disseram que estavam verificando a validade de seu registro. Não estava claro por quanto tempo o navio seria detido.

Em 10 de dezembro, os Estados Unidos capturaram outro petroleiro, o Skipper, que transportava petróleo bruto venezuelano, mas havia transportado petróleo iraniano anteriormente. O Skipper foi escoltado até Galveston, no Texas.

Maduro respondeu ordenando que a Marinha venezuelana escoltasse alguns petroleiros, aumentando o risco de confronto armado no mar.

Autoridades dos EUA dizem que as operações visam enfraquecer as finanças de Maduro

Autoridades do governo Trump têm procurado justificar o esforço para restringir o tráfego de petroleiros de e para a Venezuela, argumentando que é necessário cortar a receita de exportação de petróleo que financia o narcoterrorismo, segundo autoridades. Sem apresentar provas, Trump acusou Maduro de roubar petróleo de empresas americanas e de usar receitas da commodity para financiar atividades criminosas.

A ameaça de mais apreensões já está influenciando as rotas dos petroleiros. Alguns navios que pareciam estar se dirigindo à Venezuela deram meia-volta, de acordo com monitores globais de navegação. Grande parte do petróleo da Venezuela é vendida para a China, parte por meio de Cuba, e parte é licenciada para os Estados Unidos.

As ações alimentaram incertezas sobre os objetivos finais de Trump. Permitir que a maioria dos navios continue operando ficaria aquém de um verdadeiro bloqueio —um ato de guerra— e, em vez disso, se assemelharia a uma série de operações de aplicação da lei.

Bloquear os petroleiros faz parte de um esforço anti-Maduro mais amplo

O governo Trump passou os últimos meses construindo uma forte presença militar no Caribe sob a bandeira de uma campanha antinarcóticos.

Os Estados Unidos atacaram barcos que, segundo o governo americano, estavam contrabandeando drogas, matando pelo menos 104 pessoas. Trump acusou a Venezuela de inundar os EUA com fentanil.

Mas a Venezuela não é produtora de drogas e não tem papel conhecido no comércio de fentanil. A maior parte da cocaína que transita pelo país destina-se à Europa, e muitos especialistas jurídicos dizem que os ataques aos barcos são ilegais.

Em particular, autoridades dos EUA dizem que a campanha visa mais a queda de Maduro que a redução do tráfico de drogas. O ditador venezuelano é acusado por sucessivas administrações democratas e republicanas de fraudar eleições, reprimir dissidências e cometer abusos de direitos humanos.

Mais recentemente, Trump e seus conselheiros apontaram para outro objetivo: ganhar influência sobre as vastas reservas de petróleo da Venezuela, as maiores do mundo e a espinha dorsal de sua economia. A Venezuela já recebeu empresas de energia americanas e Trump indicou que quer acesso a esses recursos novamente.

Os navios visados fazem parte de uma ‘frota fantasma’

Especialistas estimam que até 20% dos navios-tanque globais movimentam petróleo do Irã, da Venezuela e da Rússia em violação às sanções dos EUA. Esses navios frequentemente disfarçam sua localização e apresentam documentação falsa. O Bella 1, por exemplo, falsificou seu sinal de localização em uma viagem anterior.

Autoridades dos EUA dizem que identificaram outras embarcações transportando petróleo venezuelano cujo envolvimento anterior no comércio de petróleo iraniano os torna sujeitos a sanções dos EUA. Trump disse na semana passada que mais apreensões poderiam seguir, anunciando um “bloqueio completo” de “petroleiros sancionados” viajando de e para a Venezuela. Mas pelo menos um navio abordado pelas forças dos EUA, o Centuries, não aparece na lista pública de sanções do Departamento do Tesouro.

O regime da Venezuela condenou a abordagem do Centuries como roubo e sequestro, acusando os Estados Unidos de fazer desaparecer à força a tripulação.

Trump reforça ameaças a Maduro e anuncia nova classe de navios de guerra

Na segunda-feira (22), o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, tornou a ameaçar a ditadura de Nicolás Maduro em meio à operação americana que impõe um bloqueio naval contra a Venezuela.

O regime venezuelano acusa os EUA de usar a operação como uma manobra para derrubar Maduro. Questionado por jornalistas sobre este tema durante evento em Mar-a-Lago, residência de Trump na Flórida, o presidente disse que a resposta depende do ditador. “Isso depende dele, do que ele queira fazer. Acho que seria inteligente da parte dele fazer isso. Se ele se mostrar duro, será a última vez que poderá fazê-lo”, acrescentou, em tom de ameaça.

A fala de Trump ocorreu durante anúncio de planos para construir uma nova “classe Trump” de navios de guerra que, segundo ele, serão maiores, mais rápidos e “cem vezes mais poderosos” do que qualquer outro anterior.

A iniciativa se chama Golden Fleet (frota dourada) e começaria com a construção de dois desses navios de guerra, para depois ser expandido e abranger de 20 a 25 novas embarcações.

A construção planejada de navios de guerra resultará em “mais tonelagem e poder de fogo em construção do que em qualquer momento da história”, disse o secretário da Marinha dos EUA, John Phelan, acrescentando que os componentes seriam fabricados em todos os estados dos EUA e exclusivamente com aço americano.

Ele afirmou que os navios de guerra não apenas apresentariam os “maiores canhões” já transportados em um navio de guerra americano, mas também carregariam mísseis de cruzeiro lançados do mar com armamento nuclear. O primeiro dos novos navios de guerra será batizado de USS Defiant.

Além da nova classe de navios de guerra, a Frota Dourada prevê um aumento no número de outros tipos de embarcações de guerra, incluindo uma classe de fragatas menores e mais ágeis previamente anunciada pela Marinha dos EUA, disse Trump.

No sábado (20), a Marinha tentou interceptar o petroleiro Bella 1, sancionado desde o ano passado pelos Estados Unidos por transportar petróleo iraniano. De acordo com as Forças Armadas, a embarcação se recusou a passar por inspeção e iniciou uma manobra de fuga. O petroleiro emitiu mais de 75 alertas de socorro para navios nas proximidades até a noite de domingo (21).

Durante a apresentação, Trump disse que o governo americano vai ficar com os navios e o petróleo apreendidos nas proximidades da Venezuela.

O governo americano acusa o ditador venezuelano, Nicolás Maduro, de chefiar um cartel de narcotráfico.

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