Rússia e Ucrânia trocam acusações de ataques a civis no dia de Ano-Novo

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Incêndio após o que autoridades instaladas pela Rússia descreveram como um ataque noturno de drones ucranianos na região de Kherson, área da Ucrânia controlada pela Rússia - Reuters

Rússia e Ucrânia acusaram-se de atacar civis durante o Ano-Novo, com Moscou relatando uma ofensiva a um hotel em território que ocupa no sul da Ucrânia, enquanto Kiev disse que foi alvo de outra ação de grande escala ao fornecimento de energia do país.

Os relatos coincidem com intensas negociações destinadas a pôr fim à guerra de quase quatro anos, com articulação do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.

A mais recente rodada de negociações para encerrar a Guerra da Ucrânia acabou em novo impasse, com o presidente Volodimir Zelenski pressionado pelo anfitrião Donald Trump na Flórida —mas negando um acordo acerca das perdas territoriais para Vladimir Putin.

“No Ano-Novo, a Rússia deliberadamente traz guerra. Mais de 200 drones de ataque foram lançados sobre a Ucrânia durante a noite”, escreveu o presidente ucraniano no Telegram, afirmando que infraestruturas energéticas em sete regiões do país foram alvo.

A Rússia acusou a Ucrânia de matar pelo menos 24 pessoas, incluindo uma criança, em um ataque de drone a um hotel e café onde civis celebravam o Ano-Novo em uma área controlada por Moscou na região de Kherson, no sul da Ucrânia.

O Exército ucraniano, que acusa a Rússia de matar civis em ataques a cidades do país, não ainda não se pronunciou.

Zelenski disse que os ataques russos durante o período de festas mostram que a Ucrânia não pode se dar ao luxo de atrasos no fornecimento de defesa aérea.

“Nossos aliados sabem quais equipamentos nos faltam. Esperamos que tudo o que foi acordado com os EUA no fim de dezembro para nossa defesa chegue a tempo”, afirmou, sem dar mais detalhes.

Russos falam em ‘crime de guerra’

Vladimir Saldo, governador instalado pela Rússia na região de Kherson, disse que três drones ucranianos atingiram festas de Ano-Novo em Khorly, vila costeira, no que chamou de “ataque deliberado” contra civis. Segundo ele, muitas pessoas foram queimadas vivas.

O Ministério das Relações Exteriores da Rússia afirmou que, além dos 24 mortos, 50 pessoas ficaram feridas, incluindo seis menores de idade, que estavam sendo tratados em hospitais.

“Não há dúvida de que o ataque foi planejado, com drones deliberadamente visando áreas onde civis haviam se reunido para celebrar a véspera de Ano-Novo”, disse o ministério em comunicado, classificando o ataque como “crime de guerra”.

Na segunda-feira (29), Moscou acusou Kiev de tentar atacar uma residência do presidente Vladimir Putin. Autoridades ucranianas e europeias disseram que o incidente não ocorreu, e autoridades de segurança dos EUA também afirmaram que a Ucrânia não atacou a residência. A Rússia disse na quinta-feira (1º) que enviaria provas a Washington.

A Reuters não conseguiu verificar o ataque relatado na região de Kherson nem as imagens do que o serviço de imprensa de Saldo disse serem as consequências do episódio.

As imagens mostravam ao menos um corpo coberto por um lençol branco. O edifício apresentava sinais de incêndio, e havia o que pareciam ser manchas de sangue no chão. A agência de notícias russa Tass publicou um vídeo mostrando fragmentos de drones, alguns com inscrições em ucraniano.

Autoridades ucranianas relatam com frequência mortes de civis em ataques aéreos russos, inclusive na cidade de Kherson controlada por Kiev, próxima à linha de frente.

O governador ucraniano da região de Kherson, Oleksandr Prokudin, disse que um homem foi morto e uma mulher de 87 anos ficou ferida em ataques à cidade nesta quinta-feira. Ele publicou um vídeo que mostra o apartamento da idosa gravemente danificado.

O vice-primeiro-ministro ucraniano Oleksii Kuleba afirmou que instalações ferroviárias foram atacadas em três regiões, incluindo um depósito de locomotivas e uma estação na região de linha de frente de Sumi.

O Ministério da Defesa da Rússia disse nesta quinta que seus ataques atingiram alvos militares e infraestrutura energética que, segundo Moscou, era usada para apoiar o Exército ucraniano.

Em comunicado separado, Saldo afirmou mais tarde que uma criança de cinco anos morreu e outras três pessoas ficaram feridas em um ataque de drone ucraniano a um carro perto de Tarasivka, outra vila costeira próxima a Khorly. Ele não apresentou evidências.

Dmitri Medvedev, vice-presidente do Conselho de Segurança da Rússia, disse à Tass que os responsáveis pelo ataque ao hotel e seus comandantes deveriam ser alvejados.

Kherson é uma das quatro regiões da Ucrânia que a Rússia anexou ilegalmente em 2022, medida que Kiev e a maioria dos países ocidentais denunciam como apropriação ilegal de território.

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