Celac termina sem consenso e tem apelo de chavista por libertação de Maduro

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Vídeo mostra maduro detido nos Estados Unidos — Foto: Reprodução

O chanceler da Venezuela, Yvan Gil, pediu aos países que integram a Celac (Comunidade de Estados Latino-Americanos e Caribenhos) que exijam a imediata libertação do ditador Nicolás Maduro após os ataques americanos contra Caracas, no sábado (3).

A organização, no entanto, está rachada e tem nas suas filas países que apoiam abertamente a ação militar ordenada por Donald Trump, como é o caso da Argentina de Javier Milei. Dessa forma, o encontro de domingo (4) terminou sem a publicação de um comunicado conjunto —algo já esperado por negociadores, justamente pelas posições divergentes já serem conhecidas.

Gil, que discursou em reunião virtual de emergência da Celac da qual o ministro brasileiro Mauro Vieira (Relações Exteriores) participou, disse também que a ofensiva militar dos EUA atinge toda a região. “Hoje foi a Venezuela, amanhã pode ser qualquer outro país que decida exercer a sua soberania”.

A fala do venezuelano foi transmitida pela rede Telesur.

O chanceler chavista afirmou ainda que o governo Donald Trump está interessado nos recursos naturais da Venezuela. Ele disse que Maduro foi sequestrado pelos americanos.

“Existe um presidente constitucional, Nicolás Maduro Moros, que, embora hoje se encontre sequestrado, segue sendo chefe de Estado em pleno exercício do seu mandato”, afirmou. “Exigimos a sua libertação imediata e incondicional”.

“É importante que esta comunidade assuma que a Venezuela segue sob ameaça e assédio. É sumamente importante que a Celac exija de maneira imediata o restabelecimento da legalidade internacional, que passa pela retirada imediata de todas as forças militares do Caribe; e que passa por pedir e corroborar pela libertação imediata e incondicional do presidente constitucional da República Bolivariana da Venezuela”, discursou.

De acordo com pessoas com conhecimento do discutido na reunião, o pedido de Gil por apoio dos demais países em defesa da libertação de Maduro não foi posteriormente discutido no encontro, em mais um sinal de baixo endosso à ideia e das divisões internas na Celac.

Na maior intervenção contra a América Latina em décadas, os EUA atacaram a Venezuela no sábado, bombardeando a capital, Caracas, e capturando Maduro e sua esposa.

O ditador e a primeira-dama, Cilia Flores, foram então transportados para Nova York para serem julgados por narcoterrorismo e crimes relacionados ao tráfico de drogas.

O encontro virtual da Celac foi convocado pela Colômbia, presidente de turno da instituição. O presidente Gustavo Petro é crítico da operação americana que resultou na captura de Maduro.

Países da América do Sul que tratam Maduro como chefe do Cartel de los Soles, como Paraguai e Argentina, escalaram representantes de nível hierárquico inferior para acompanhar a videoconferência.

Segundo pessoas com conhecimento das discussões, houve baixa participação de nações caribenhas.

Brasil e aliados de esquerda criticam tentativa de Trump de se apropriar de recursos da Venezuela e expressam preocupação com ‘tentativa de controle governamental’ no país

Os governos do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), da Espanha e de um grupo de países governados por líderes da esquerda na América do Sul publicaram uma nota, no domingo (4), na qual rechaçam a operação militar dos Estados Unidos contra a Venezuela que resultou na captura do ditador Nicolás Maduro.

No mesmo comunicado, os governos de Brasil, Espanha, México, Chile, Colômbia e Uruguai dizem estar preocupados com tentativas de “controle governamental, de administração ou apropriação externa de recursos naturais ou estratégicos” —numa referência às declarações do presidente Donald Trump de que os EUA governariam a Venezuela até uma transição e que companhias americanas explorariam o petróleo venezuelano.

Para esses países, qualquer ação nesse sentido é incompatível com o direito internacional e representa uma ameaça à estabilidade regional. Todos os signatários são governados por líderes de esquerda.

A Espanha é liderada pelo premiê Pedro Sánchez. Os demais países são governados por presidentes: o México por Claudia Sheinbaum, o Chile por Gabriel Boric, a Colômbia por Gustavo Petro e o Uruguai por Yamandú Orsi.

“Expressamos nossa profunda preocupação e rechaço diante das ações militares executadas unilateralmente no território da Venezuela, as quais contrariam princípios fundamentais do direito internacional, em particular a proibição do uso e da ameaça do uso da força, o respeito à soberania e à integridade territorial dos Estados, consagrados na Carta das Nações Unidas”, escreveram os países, na nota divulgada pelo Ministério das Relações Exteriores.

“Tais ações constituem um precedente extremamente perigoso para a paz e a segurança regionais e para a ordem internacional baseada em normas, além de colocarem em risco a população civil.”

Os governos também dizem que a crise na Venezuela precisa ser resolvida “exclusivamente por meios pacíficos, por meio do diálogo, da negociação e do respeito à vontade do povo venezuelano em todas as suas expressões, sem ingerências externas e em conformidade com o direito internacional”.

“Reafirmamos que apenas um processo político inclusivo, liderado pelas venezuelanas e pelos venezuelanos, pode conduzir a uma solução democrática, sustentável e respeitosa da dignidade humana”, acrescentaram.

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