Delcy Rodríguez é empossada como líder interina da Venezuela; embaixadora do Brasil comparece

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A líder interina da Venezuela Delcy Rodríguez faz juramento na Assembleia Nacional - Federico Parra/AFP

Enquanto Nicolás Maduro segue em Nova York, onde compareceu perante um tribunal após ser capturado pelos Estados Unidos, a vice do ditador deposto, Delcy Rodríguez, assumiu nesta segunda-feira (5) como líder interina da Venezuela.

Diante dos deputados que acabavam de tomar posse, dois dias após a deposição de Maduro, ela declarou lealdade a Maduro e disse que prestava o juramento “com pesar”.

“Venho com pesar, pelo sofrimento causado ao povo venezuelano, por uma agressão militar ilegítima contra a nossa pátria. Venho com pesar, pelo sequestro de dois heróis que são reféns nos Estados Unidos.”

“Mas devo dizer que tenho a honra de jurar, em nome de todos os venezuelanos, pelo nosso pai libertador, Simón Bolívar, cujo sangue libertador corre pelas veias dos venezuelanos. Juro pelo comandante Hugo Chávez, que devolveu a dignidade de milhões de venezuelanos”, seguiu.

O Supremo Tribunal havia ordenado que Delcy assumisse o cargo por 90 dias, prazo que pode ser prorrogado.

Na cerimônia, ela afirmou que não irá descansar até ver a Venezuela como uma nação livre e independente e garantir a tranquilidade econômica e social do povo venezuelano.

“Juro pelas bases do nosso pai libertador garantir um governo que dê felicidade social, estabilidade política e segurança política”, disse. “Que juremos como um só país, para levar a Venezuela adiante, nessas horas terríveis de instabilidade.”

O juramento foi tomado pelo irmão de Delcy, o presidente da Assembleia Nacional, Jorge Rodríguez, e acompanhado pelo filho de Nicolás Maduro, o deputado Nicolás Maduro Guerra. No domingo (4), a líder interina pediu a Donald Trump que Venezuela e EUA tenham uma relação equilibrada e respeitosa.

A embaixadora do Brasil na Venezuela, Glivânia Maria de Oliveira, compareceu à cerimônia, outro sinal de que Brasília reconhece Delcy como a líder interina do país vizinho.

Delcy transformou-se em uma figura importante na cúpula do chavismo. Ela nasceu em Caracas em 18 de maio de 1969 e foi ministra da Comunicação entre 2013 e 2014, além de chanceler entre 2014 e 2017. Formada em direito, em 2017 tornou-se presidente da Assembleia Nacional Constituinte. Em 2018, Maduro a nomeou vice-presidente, destacando suas qualidades como mulher corajosa e revolucionária.

Desde 2013, ela e seu irmão, Jorge Rodríguez, ganharam destaque na elite do poder venezuelano, sendo responsáveis por decisões importantes e pela ideologia do regime. Jorge, que também foi vice de Hugo Chávez, tem um histórico familiar ligado à luta socialista, já que seu pai foi um guerrilheiro marxista.

A partir de agosto de 2024, Delcy passou a comandar o Ministério do Petróleo, lidando com as sanções dos EUA e a indústria petrolífera do país.

Horas antes do juramento de Delcy, na cerimônia de posse dos deputados, coube ao filho de Maduro, Nicolás Maduro Guerra, transformar seu discurso em um manifesto contra a captura de seu pai.

Emocionado, ele dirigiu parte do discurso diretamente a Maduro: “A você, pai, digo que criou uma família de pessoas fortes. A pátria está em boas mãos, pai, e logo vamos nos abraçar aqui na Venezuela”, disse, com a voz embargada. “E também nos veremos, Cilia [Flores, mulher de Maduro].”

Ao falar para o Parlamento, Jorge Rodríguez pediu que “as lágrimas se transformem em força” e disse que a Venezuela nunca buscou uma guerra.

“Minha função será recorrer a todos os procedimentos, tribunas e espaços para trazer de volta Nicolás Maduro, meu irmão e meu presidente. Falta uma deputada neste lugar, que é da minha irmã, Cilia Flores, que uma flor vermelha em seu lugar nos recorde que estamos em dívida com ela”, disse ele.

Embaixadora do Brasil comparece à posse de Delcy Rodríguez na Venezuela

A embaixadora do Brasil na Venezuela, Glivânia Maria de Oliveira, compareceu à cerimônia de posse da líder interina da Venezuela, Delcy Rodríguez, nesta segunda-feira (5) em Caracas, capital do país vizinho.

O ato formal de posse de Delcy ocorreu após o Supremo Tribunal venezuelano determinar que ela assumisse o comando do Executivo por 90 dias, prazo que pode ser prorrogado. A solenidade aconteceu na Assembleia Nacional.

Delcy chegou ao poder na Venezuela depois que o ditador Nicolás Maduro foi capturado por militares americanos, que bombardearam Caracas durante a operação. Maduro foi levado a Nova York, onde será julgado por narcoterrorismo.

Embaixadores são normalmente convidados para cerimônias de posses dos líderes dos países onde exercem suas funções. A ida de Glivânia é mais um sinal de que o governo Lula (PT) a enxerga como a nova governante do país.

Na noite de sábado, a secretária-geral do Itamaraty, Maria Laura da Rocha, afirmou que o Brasil reconhecia Delcy como a presidente interina da Venezuela.

“Na ausência do atual presidente, [Nicolás] Maduro, é a vice-presidente. Ela está como presidente interina”, declarou Maria Laura, após participar de uma reunião no Itamaraty para avaliação da situação no país vizinho.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva conversou por telefone com Delcy. De acordo com o Palácio do Planalto, o telefonema ocorreu poucas horas depois da captura de Maduro, e Lula buscava confirmar diretamente com autoridades venezuelanas as informações que acompanhava pelos meios de comunicação.

Na cerimônia de posse desta segunda, Delcy declarou lealdade a Maduro e disse que prestava o juramento “com pesar”.

“Venho, como vice-presidente do presidente constitucional da República Bolivariana da Venezuela, Nicolás Maduro Moros, prestar juramento”, iniciou ela. “Venho com pesar, pelo sofrimento causado ao povo venezuelano, por uma agressão militar ilegítima contra a nossa pátria. Venho com pesar, pelo sequestro de dois heróis que são reféns nos Estados Unidos.”

“Mas devo dizer que tenho a honra de jurar, em nome de todos os venezuelanos, pelo nosso pai libertador, Simón Bolívar, cujo sangue libertador corre pelas veias dos venezuelanos. Juro pelo comandante Hugo Chávez, que devolveu a dignidade de milhões de venezuelanos”, seguiu.

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