Trump avalia ativamente compra da Groenlândia, diz Casa Branca
Um veículo de aparência militar atravessa o gelo na Groenlândia
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, discute ativamente a compra da Groenlândia com sua equipe, disse a Casa Branca na quarta-feira (7), acrescentando que o republicano prefere a diplomacia, mas não descartaria outras ações.
“Isso é algo que está sendo ativamente discutido pelo presidente e sua equipe de segurança nacional”, disse a secretária de imprensa Karoline Leavitt quando questionada sobre uma possível oferta de Washington para comprar o território autônomo da Dinamarca.
Leavitt reiterou que Trump acredita que adquirir a Groenlândia, rica em recursos minerais, seria do interesse da segurança nacional de seu país.
“O presidente tem sido muito aberto e claro com todos vocês e com o mundo que ele considera do melhor interesse dos EUA deter a agressão russa e chinesa na região do Ártico, e é por isso que sua equipe está atualmente discutindo como seria uma potencial compra”, continuou.
A fala ocorre um dia após a Casa Branca afirmar, por meio de nota, que não descarta o uso da força para tomar a ilha —o que configuraria uma agressão à Otan, grupo ao qual Dinamarca e EUA pertencem. Na segunda (5), a primeira-ministra dinamarquesa, Mette Frederiksen, havia dito que qualquer ataque americano ao território significaria o fim da aliança militar ocidental.
Membro fundador da Otan, a Dinamarca é um importante aliado dos EUA, tendo participado do polêmico envio de tropas para apoiar a invasão americana ao Iraque em 2003.
Quando questionada sobre esse ponto, Leavitt afirmou que “todas as opções estão sempre na mesa para o presidente Trump”. “Eu apenas direi que a primeira opção do presidente, sempre, tem sido a diplomacia”, continuou.
Mais cedo, Trump afirmou em sua plataforma, a Truth Social, que “a Rússia e a China não têm nenhum medo da Otan sem os EUA”, em contraste com a postura de outros presidentes americanos em relação à aliança. “Duvido que a Otan estaria lá por nós se realmente precisássemos deles. Todos têm sorte que eu reconstruí nosso Exército no meu primeiro mandato, e continuo a fazê-lo. Nós sempre estaremos lá para a Otan, mesmo que eles não estejam lá para nós”, continuou.
Na terça (6), o chanceler dinamarquês, Lars Lokke Rasmussen, disse que a visão vendida por Trump de que a ilha está “cercada de barcos russos e chineses” não é real. Afirmou ainda que pediu uma reunião com seu colega americano, Marco Rubio.
O secretário de Estado americano pareceu ter concordado com o encontro ao dizer, na quarta-feira (7), que planeja se reunir com representantes da Dinamarca na próxima semana.
“Se o presidente identifica uma ameaça à segurança nacional dos EUA, todo presidente mantém a opção de abordá-la por meios militares. Como diplomata, que é o que sou agora, e no que trabalhamos, sempre preferimos resolver de maneiras diferentes —isso incluiu a Venezuela”, disse Rubio a jornalistas quando questionado se os EUA estariam dispostos a potencialmente arriscar a aliança da Otan ao avançar com uma opção militar.
O governo da Groenlândia participará do encontro, anunciou nesta quarta a chefe da diplomacia da ilha. “Nada sobre a Groenlândia sem a Groenlândia. Obviamente vamos participar. Pedimos uma reunião”, disse a ministra Vivian Motzfeldt à televisão pública do território após a confirmação do encontro.
Para Motzfeldt, a reunião deveria ser uma oportunidade para normalizar as relações com os EUA. “Agora estabelecemos um diálogo direto com os EUA”, disse a ministra ao jornal groenlandês Sermitsiaq. “Minha maior esperança é que esta reunião conduza a uma normalização das nossas relações (…) A Groenlândia precisa dos EUA e os EUA precisam da Groenlândia em termos de segurança no Ártico.”
O governo dinamarquês questiona o argumento recorrente de Trump de que a segurança do território ártico foi negligenciada pelo governo de Copenhague. A Dinamarca investiu fortemente na segurança dessa região nos últimos 12 meses, destinando mais de US$ 1,3 bilhões à ilha.
As críticas vêm até mesmo de dentro do próprio partido de Trump. O senador republicano Thom Tillis repreendeu a atitude do presidente em uma declaração conjunta com a democrata Jeanne Shaheen, principal membro do seu partido no Comitê de Relações Exteriores do Senado.
“Quando Dinamarca e Groenlândia deixam claro que a ilha não está à venda, os EUA devem cumprir suas obrigações e respeitar a soberania e integridade territorial do reino da Dinamarca”, declararam os políticos. “Devemos nos manter focados nas verdadeiras ameaças e trabalhar com nossos aliados, não contra eles, para fortalecer nossa segurança compartilhada.”