Filhas de Manoel Carlos processaram a Globo antes de sua morte
O autor Manoel Carlos - Estevam Avellar/Globo/Divulgação
A morte de Manoel Carlos no sábado (10), aos 92 anos, tem um simbolismo para a Globo. Um dos maiores autores de sua história, usado até hoje em reprises para alavancar a audiência, deixou a emissora em 2015 de forma não muito tranquila.
No último mês de setembro, a empresa Boa Palavra, criada pela atriz Julia Almeida, filha de Manoel, para administrar o legado e autorizar novas produções que envolvam a sua obra, entrou com uma ação na Justiça do Rio de Janeiro contra a Globo.
A Boa Palavra alega que a emissora não tem prestado contas, detalhadamente, do que paga sobre as produções feitas por Maneco. Ou seja, elas dizem que não sabem exatamente quanto recebem da Globo pelos direitos das obras e que não há transparência.
A ação foi apenas a ponta de um iceberg. As filhas do autor (além de Júlia, Maria Carolina também administra seu legador), entendem que a Globo não foi justa com o pai na reta final da carreira dele. Para elas, isso se deu especialmente após o fracasso de “Em Família” (2014), última novela dele na emissora.
Mesmo com o sucesso das reprises de suas produções nos últimos anos, como “Por Amor” (1997) e “Laços de Família” (2000), Maneco teve pouco espaço para a celebração de sua obra nos canais da Globo.
O documentário “Tributo”, produzido em 2022 para homenagear sua carreira, foi feito sem a sua presença e sem depoimento das filhas, que sequer foram convidadas. Elas só souberam da produção por meio de terceiros.
No lugar, a Boa Palavra fez uma nova produção, quase que em resposta ao que a Globo fez: “O Leblon de Manoel Carlos”. O documentário está disponível no YouTube, em quatro episódios e conta com participações de nomes como Taís Araújo e Vera Fischer.
Nos últimos meses, outras situações que envolveram a obra de Maneco também incomodaram a família, que soube por fãs e pela imprensa de um remake da novela “Páginas da Vida”, produzida entre 2006 e 2007, a ser realizado por uma emissora portuguesa, com autorização da Globo.
Nos bastidores, o canal sempre avaliou como exagero alguns pedidos da família de Manoel Carlos. Um argumento usado é que outros herdeiros de autores também não recebem detalhadamente tudo o que a Globo faz com suas obras. É o caso dos sucessores de Janete Clair (1924-1983), com quem a emissora tem boa relação.
Com a morte de Manoel Carlos, a expectativa é que a Globo passe a lidar mais diretamente com a Boa Palavra, que herdou todo o legado do autor. A seguir cenas dos próximos capítulos.