Resultado de análise da água do Açude Velho, em Campina Grande, deve sair em até 10 dias, diz IPC

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Mais de 5 toneladas de peixes mortos já foram retiradas do Açude Velho, em Campina Grande — Foto: Artur Lira/TV Paraíba

O resultado da análise de amostras de água coletadas do Açude Velho, cartão-postal de Campina Grande que registrou a aparição de milhares de peixes mortos, deve ser divulgado em até 10 dias pelo Núcleo de Laboratório Forense do Instituto de Polícia Científica da Paraíba (IPC-PB). O trabalho para retirada de peixes mortos segue acontecendo no local desde o último domingo (11).

De acordo com Juliana Holanda, superintendente do IPC em Campina Grande, as amostras da água foram coletadas na última segunda-feira (12) e encaminhadas ao laboratório para análise. Foram retiradas amostras de três pontos do açude: da parte do meio, das margens (onde uma grande quantidade de peixes mortos ficou concentrada), e num local com maior profundidade.

O trabalho de análise já teve início no laboratório do IPC. O órgão tem um prazo de 10 dias, conforme o código de processo penal, para divulgar o resultado que deve apontar as causas da mortandade dos peixes.

“Essa água foi trazida para o nosso laboratório e já começamos a trabalhar com essas amostras. Hoje vai ser feita uma nova análise num laboratório parceiro, e a gente espera que essa análise traga uma resposta do que realmente provocou essa morte de peixes”, explicou.

A superintendente do IPC também informou que as propriedades físicas, químicas e microbiológicas da água serão examinadas considerando “certos parâmetros de controle de qualidade”.

“Existem certos parâmetros considerados para controle de qualidade. O resultado em si isso não vai dar de acordo com o parâmetro normal de uma água potável, mas existem certos níveis e é partir desse resultado que a gente vai poder ver se houve algo intencional, envenenamento (…) A gente acredita que quando saírem esses resultados vamos entender”, disse.

O prazo de 10 dias para divulgação do resultado pode ser prorrogado caso haja necessidade, considerando a complexidade do caso.

“Temos um prazo de 10 dias, de acordo com o código de processo penal para liberar nossos laudos. Porém, diante da complexidade, a gente pode precisar de um tempo maior e se solicita a prorrogação desse prazo para não ser inconsequente. E a depender desses exames, a gente vai precisar sim prorrogar esse caso”, reiterou.

Peixes mortos no açude é um fato conhecido, diz prefeito

Um outro ponto abordado por Bruno Cunha Lima foi que o aparecimento de peixes mortos não é algo novo e é bem conhecido pela prefeitura. Ele citou que isso aconteceu, inclusive, em outro município, citando a cidade de Patos, no Sertão.

A declaração de Bruno Cunha Lima vai ao encontro da declaração dada pela coordenadora de Meio Ambiente de Campina Grande, Liliam Ribeiro, em entrevista à TV Paraíba, que explicou que o fenômeno é frequente na cidade.

“Estamos diante de um fato conhecido, um fato chamado eutrofização, que em resumo é a redução dos índices de oxigênio, da disponibilidade de oxigênio nas águas desses reservatórios, em especial em razão da evaporação. a redução dos níveis de água dos reservatórios pelo calor, pela evaporação, pela pouca chuva que nós tivemos ao longo dos últimos meses e isso causa uma maior concentração de materiais, reduz a disponibilidade de oxigênio e leva os peixes a morte. Nas últimas horas, inclusive, foi registrado em outros reservatórios, como o açude na fazenda Maria da Luz, agora no mês de dezembro também na cidade de Patos”, disse.

Funcionário da Sesuma retira peixes mortos do Açude Velho — Foto: Reprodução/TV Paraíba
Funcionário da Sesuma retira peixes mortos do Açude Velho — Foto: Reprodução/TV Paraíba

Investigações da polícia, MPPB e apuração da Defensoria Pública

A Polícia Civil e o Ministério Público da Paraíba (MPPB) investigam a aparição de peixes mortos no Açude Velho. As informações foram confirmadas pelos dois órgãos para a Rede Paraíba.

De acordo com a Polícia Civil, o inquérito aberto na corporação investiga a possibilidade de crime ambiental. Uma perícia está sendo realizada no Açude Velho para saber se houve responsabilidade humana intencional no caso. Amostra da água e um peixe foram colhidos para análise no Núcleo de Laboratório Forense do Instituto de Polícia Científica da Paraíba (IPC-PB). Não há prazo para o resultado dessa análise.

No âmbito do Ministério Público da Paraíba (MPPB), a investigação é mais ampla e acontece desde a instauração de um inquérito civil em 11 de novembro, pelo promotor do Meio Ambiente de Campina Grande, Hamilton de Souza Neves. O inquérito investiga o despejo irregular de esgoto no Açude Velho e também os peixes mortos.

Outro órgão que acompanha a situação do Açude Velho após a aparição de peixes mortos no local é a Defensoria Pública do Estado da Paraíba (DPE-PB). No documento, a DPE-PB requisitou, no prazo de 15 dias, o envio de informações como:

  • Relatórios técnicos completos (inclusive dos que vierem a ser feitos a partir de agora) de monitoramento da qualidade da água do Açude Velho, referentes aos últimos seis meses;
  • Envio de cronograma detalhado das ações emergenciais, de médio e de longo prazo destinadas à recuperação ambiental do Açude Velho;
  • Detalhamento da aplicação de recursos municipais, inclusive oriundos de fundos, convênios, parcerias ou financiamentos, relativos ao Açude Velho, nos últimos três anos;
  • Informações acerca da existência de avaliação de riscos à saúde pública.

Cartão-postal de Campina Grande

O Açude Velho é o principal cartão-postal de Campina Grande mas não abastece a cidade. O local recebe água poluída dos canais que desaguam na região.

Apesar de ser poluído, o Açude Velho possui um valor histórico para Campina Grande já que foi construído em um período de seca extrema e chegou a abastecer a região. Atualmente, a cidade é abastecida pelo Açude Epitácio Pessoa, localizado na cidade de Boqueirão.

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