Toffoli indica peritos e dá ‘livre acesso’ a agentes da PF para análise de provas do caso Master

0
dias toffoli

Dias Toffoli. Foto: Reprodução

O ministro Dias Toffoli, do STF (Supremo Tribunal Federal), deu acesso na quinta-feira (15) a quatro peritos da Polícia Federal ao material do caso Master. Segundo ele, os agentes terão livre acesso aos documentos e dados apreendidos.

Toffoli, que é relator do caso, determinou que as provas colhidas na segunda fase da Operação Compliance Zero fossem encaminhadas à PGR (Procuradoria-Geral da República), que, segundo o último despacho, deverá acompanhar a extração dos dados.

“Ressalto que os referidos peritos terão livre acesso ao material apreendido e deverão contar com o apoio da Procuradoria-Geral da República para acompanhamento dos trabalhos periciais”, disse o ministro.

Na quarta (14), o magistrado mudou de entendimento sobre a guarda do material apreendido em um vaivém de decisões. Primeiro, Toffoli havia determinado que todas as provas colhidas fossem lacradas e guardado no Supremo Tribunal Federal, não na Polícia Federal —como seria praxe.

A medida foi considerada incomum por peritos federal. O procurador-geral, Paulo Gonet, se manifestou sobre a decisão e pediu que o ministro reconsiderasse, dizendo que a análise do material poderia acrescentar elementos sobre a participação dos investigados.

Mais tarde, no início da noite de quarta, Toffoli reviu a decisão e determinou que as provas ficassem sob custória da PGR. Ao acolher o argumento de Gonet, o magistrado afirmou que o material é mais amplo que o inquérito aberto inicialmente.

A operação deflagrada pela Polícia Federal na quarta teve como alvo pessoas supostamente envolvidas em fraudes realizadas pelo Banco Master por meio de fundos de investimento, incluindo empresários.

A ação foi autorizada por Toffoli, que se tornou o responsável pelo inquérito do Master ao determinar, no fim de 2025, que as diligências e medidas relacionadas à investigação contra Daniel Vorcaro e o Master seriam avaliadas por ele, não mais pelo juízo da primeira instância.

A decisão foi dada após pedido da defesa do banqueiro, feito no dia 28 de novembro, para levar as investigações sobre o empresário à Suprema Corte. A solicitação foi feita após um envelope com documentos de um negócio imobiliário relacionado ao deputado João Carlos Bacelar (PL-BA) ter sido encontrado em uma busca e apreensão.

O ministro manteve a condução do inquérito em sigilo e tomou decisões questionadas no mundo político e no mercado financeiro.

Como o jornal Folha de S.Paulo revelou, duas empresas ligadas a parentes de Toffoli tiveram como sócio um fundo de investimentos conectado à teia usada pelo Banco Master em fraudes investigadas por autoridades, de acordo com documentos e dados oficiais analisados pela reportagem.

Na ocasião, a Folha procurou a assessoria do STF e perguntou se Dias Toffoli tinha conhecimento dessas conexões e se ele considera que as informações criam algum empecilho para a condução do caso, mas o ministro não respondeu. Parentes do ministro também não se manifestaram.

por Folha de S.Paulo

About Author

Compartilhar

Deixe um comentário...