Veja 6 principais pontos do discurso de Trump em Davos

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O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, durante fala em Davos, na Suíça - Mandel Ngan/AFP

por Folha de S.Paulo

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, participou do Fórum Econômico Mundial, em Davos, na Suíça, na quarta-feira (21), e voltou a abordar a Groenlândia, foco das tensões americanas com aliados europeus da Otan.

O republicano falou por mais de uma hora e sugeriu que não vai usar a força para anexar a ilha que pertence à Dinamarca. O discurso, no entanto, não indica um presidente americano demovido de suas pretensões: pelo contrário, falou que quer negociações imediatas para adquirir a ilha.

Horas depois, Trump anunciou que um acordo com a Otan sobre a Groenlândia estava encaminhado. Segundo o presidente americano, que suspendeu as tarifas que tinha ameaçado contra a Europa, o acordo “deixa todo mundo feliz” e atinge os objetivos americanos.

A seguir, veja os principais pontos abordados por Trump na Suíça.

Groenlândia

Poderia parecer que Trump recuou de sua intenção de anexar a Groenlândia, uma vez que ele afirmou que não usará a força para tomar o território da Dinamarca. Sua declaração em Davos, no entanto, não sugere que o americano tenha mudado de ideia, embora horas depois ele tenha anunciado um acordo.

“Nós nunca pedimos nada [à Otan] e nunca ganhamos nada. Provavelmente não ganharemos nada a não ser que eu decida usar força excessiva, em que somos imparáveis. Mas não farei isso. Ok, agora todo mundo vai dizer ‘que bom’, é provavelmente a maior declaração que fiz porque achavam que eu usaria a força”, disse Trump.

Ele continuou: “Eu não tenho que usar a força. Eu não quero usá-la. Eu não vou usá-la. Só o que os EUA pedem é um lugar chamado Groenlândia, que nós já possuíamos como administradores, mas respeitosamente devolvemos à Dinamarca não muito tempo atrás”.

Ele também afirmou que busca “negociações imediatas” para discutir a aquisição da Groenlândia pelos EUA. “Assim como nós adquirimos muitos outros territórios ao longo de nossa história”, disse o americano.

Em outro momento, Trump manteve o tom de ameaça quando citou o território. “Queremos um pedaço de gelo para proteção do mundo, e eles não querem nos dar. Nós nunca pedimos mais nada, e poderíamos ter ficado com aquele pedaço de território, mas não ficamos. Então eles têm uma escolha: vocês podem dizer sim, e ficaremos muito agradecidos, ou vocês podem dizer não, e nós vamos nos lembrar disso.”

Otan

O presidente americano reforçou que todos os aliados da Otan, a aliança militar ocidental, devem ser capazes de defender seu próprio território; Trump, no entanto, diz que apenas os EUA podem assegurar a defesa de territórios como a Groenlândia.

Ele disse ainda que a anexação da Groenlândia pelos EUA não seria uma ameaça à Otan. Pelo contrário, Trump afirma que isso iria fortalecer a aliança —Washington já possui base militar na ilha e pode aumentar essa presença.

O republicano voltou a reclamar de que os EUA não são tratados de forma justa pela Otan e afirmou ser o presidente que mais fez pela aliança.

Canadá

Na terça-feira (20), o primeiro-ministro do Canadá, Mark Carney, fez discurso duro em que abordou as ameaças de Trump aos aliados e avaliou que o momento era de ruptura, não de transição da ordem global.

Em sua fala nesta quarta, Trump criticou Carney, novamente em tom de ameaça. “O Canadá ganha de nós muitas vantagens de graça. Eles também deveriam ser gratos, mas não são. Eu vi seu primeiro-ministro ontem; ele não estava tão agradecido, mas deveria. O Canadá vive por causa dos EUA. Lembre-se disso, Mark [Carney], da próxima vez que você fizer suas declarações”.

ICE e crime

Trump também louvou a atuação do ICE, a polícia migratória americana, em grandes cidades, além das intervenções do governo federal na segurança pública. Ele voltou a cobrar a agradecimentos de governadores e prefeitos em locais onde tropas da Guarda Nacional foram enviadas.

Migração e economia

Os dois temas foram usados pelo republicano para atacar seus aliados europeus e defender a concepção do governo a respeito da economia de um país.

O americano chamou a migração de um processo “socialmente disruptivo” que deveria estar no centro das preocupações “de qualquer um que quer ver um Ocidente unido e forte”. Ele voltou a criticar a gestão do antecessor, Joe Biden, relacionada à imigração e celebrou que, em 2025, houve “migração reversa” no país.

Trump também afirmou que a gestão de Biden e de outros países ocidentais “seguiram de forma tola” um caminho que “virou as costas a tudo que faz das nações ricas, poderosas e fortes”. “Isso resultou em orçamentos recordes e déficits comerciais alimentados pela maior onda de migração em massa da história da humanidade”.

Clima

O republicano chamou as políticas de combate à crise climática da Europa de “talvez a maior farsa da história”, responsável por destruir empregos e tornar mais cara a energia no continente.

Trump fez ainda duras críticas ao uso de energia eólica, afirmando que ela gera prejuízo, em oposição a fontes baratas e eficientes de energia, incluindo o petróleo, gás e carvão —que ele vê como essenciais para o crescimento e a segurança nacional.

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