Lula fala sobre Gaza com líder da Autoridade Palestina após Trump criar Conselho de Paz voltado à região; palestinos apoiam entrada do Brasil

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O presidente Lula fala durante evento no Rio de Janeiro celebrando a assinatura do tratado entre a União Europeia e o Mercosul - Mauro Pimentel - 16.jan.26/AFP

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) conversou na quinta-feira (22) por telefone com o presidente da Autoridade Nacional Palestina, Mahmoud Abbas, sobre a situação na Faixa de Gaza.

Trata-se de mais uma conversa sobre o tema feita pelo brasileiro desde que Donald Trump convidou o Brasil e outras nações para participar do Conselho de Paz, órgão criado por ele para monitorar a situação na Faixa de Gaza.

“Ao expressar satisfação quanto ao cessar-fogo obtido em Gaza, o presidente Lula consultou o presidente Abbas sobre as perspectivas de reconstrução da região e reiterou o compromisso brasileiro com a paz no Oriente Médio”, diz nota do governo brasileiro.

A ligação faz parte do procedimento adotado pelo Brasil de consultar outros países chamados para participar do conselho antes de decidir se vai aderir ao órgão.

Autoridades brasileiras avaliam uma resposta coordenada ao convite feito por Trump e observam a reação das demais nações convidadas.

Na conversa, os líderes falaram sobre o plano de paz em curso e concordaram em continuar mantendo contato sobre o tema.

Lula já falou sobre o tema com diversos líderes do mundo. Nesta manhã, foi a vez de Narendra Modi, líder da Índia, para onde o presidente tem viagem oficial marcada. Na véspera, tratou da situação com o presidente da Turquia, Recep Tayyip Erdogan.

Palestinos apoiam entrada do Brasil no Conselho da Paz de Trump, diz embaixador

A entrada do Brasil no Conselho da Paz criado pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, seria vista com bons olhos pelos palestinos, afirmou o embaixador Marwan Jebril, chefe da representação da Autoridade Nacional Palestina em Brasília.

O governo brasileiro, que foi convidado pelo país norte-americano a integrar o comitê para a Faixa de Gaza, ainda não deu uma resposta sobre a sua participação no colegiado lançado na quinta-feira (22).

“A decisão quem toma é o Brasil, se vai fazer parte ou não. Mas nós, sim, vemos com bons olhos que haja países amigos [presentes]. Não esqueçamos que Israel também está dentro desta conselho”, disse Marwan Jebril à GloboNews.

“É bom que haja países amigos que defendam o direito dos palestinos à autodeterminação, à liberdade e que haja um Estado palestino”, completou o diplomata.

Marwan Jebril diz saudar a iniciativa pela pacificação do território e afirma que, embora os palestinos não estejam representados politicamente, a presença de aliados, como Egito, Arábia Saudita, Catar, Turquia e Indonésia, gera a confiança de que a vigência do conselho será temporária.

“Coordenamos com eles para que este comitê seja transitório, com no máximo dois anos [de duração], e para que depois as competências da Faixa de Gaza sejam passadas ao governo palestino”, declarou o embaixador.

Na quinta-feira (22), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) conversou por telefone com o presidente da Autoridade Nacional Palestina, Mahmoud Abbas.

De acordo com nota divulgada pelo Ministério das Relações Exteriores, “ambos trocaram impressões sobre o plano de paz em curso e acordaram continuar mantendo contato sobre o tema”.

Embora não tenha participado da ligação telefônica, Jebril detalha quais são as considerações feitas pelos palestinos quando consultados sobre aderir ou não ao conselho de Trump.

“O que pedimos ao nosso amigo Lula, ao presidente do Brasil, são estes termos: que não haja anexação por parte de Israel de território palestino, que não haja uma separação política entre Gaza e a Cisjordânia e que haja uma solução política. As soluções militares ou impostas por terceiros não funcionam nem vão funcionar”, afirmou Jebril.

“E o governo palestino tem que estar envolvido na solução. É muito importante. Essa é a mensagem que demos a todos os nossos amigos, e eles nos apoiam nisso”, acrescentou.

Conselho x ONU

Embora endosse a presença de aliados no comitê, o embaixador palestino no Brasil diz ver com preocupação eventuais tentativas de substituir a atuação da Organização das Nações Unidas (ONU).

“Trump está falando de substituir as Nações Unidas, que é uma organização que existe há mais de 80 anos. Isso é um perigo”, disse o diplomata.

“Então, tomara que não tenha êxito nesta tentativa. É preciso respeitar e aplicar as regras das Nações Unidas e do direito internacional”, emendou.

O esvaziamento do organismo é considerado um dos pontos sensíveis para o Brasil em relação ao “Conselho da Paz”.

Conforme o colunista do g1 Valdo Cruz, assessores presidenciais afirmam que o grupo não pode representar uma entidade permanente que venha a substituir a ONU — risco que não estaria afastado.

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