Ação coletiva com participação de brasileiros acusa WhatsApp de acessar conversas criptografadas
Simardfrancois por Pixabay
Um grupo internacional de demandantes entrou com processo contra a Meta alegando que a empresa fez declarações falsas sobre a privacidade e segurança do WhatsApp.
A big tech transformou a chamada criptografia “ponta a ponta” em item principal do conjunto de recursos do aplicativo de mensagens, oferecendo um tipo de criptografia que significa que uma mensagem é acessível apenas ao remetente e ao destinatário, mas não à empresa.
Nesse tipo de chat criptografado, que a empresa afirma estar ativado como padrão, as mensagens no aplicativo do WhatsApp dizem que “apenas pessoas neste chat podem ler, ouvir ou compartilhar” as mensagens.
Na ação judicial apresentada na sexta-feira (23) no Tribunal Distrital dos EUA em San Francisco, o grupo de demandantes afirma que as promessas de privacidade da Meta são falsas. Eles apontam que a Meta e o WhatsApp “armazenam, analisam e podem acessar praticamente todas as comunicações supostamente ‘privadas’ dos usuários do WhatsApp” e acusam as empresas e seus líderes de fraudar a comunicação de bilhões de usuários do WhatsApp em todo o mundo.
Um porta-voz da Meta chamou o processo de “frívolo” e disse que a empresa “buscará sanções contra os advogados dos demandantes”.
“Qualquer alegação de que as mensagens do WhatsApp das pessoas não são criptografadas é categoricamente falsa e absurda”, comentou Andy Stone por email. “O WhatsApp tem sido criptografado de ponta a ponta usando o protocolo Signal há uma década. Este processo é uma obra de ficção frívola”.
O grupo, que inclui demandantes da Austrália, Brasil, Índia, México e África do Sul, indica que a Meta armazena o conteúdo das comunicações dos usuários e que os funcionários podem ter acesso a elas.
A queixa cita “denunciantes” como tendo ajudado a trazer essas informações à luz, embora não explique quem eles são.
Os advogados dos demandantes estão pedindo ao tribunal que certifique uma ação coletiva. Vários advogados listados no processo dos escritórios Quinn Emanuel Urquhart & Sullivan e Keller Postman não responderam imediatamente aos pedidos de comentário. Outro dos advogados dos demandantes, Jay Barnett, da Barnett Legal, recusou-se a comentar.