Ativista Javier Tarazona e outros oito venezuelanos são libertados de prisão

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Javier Tarazona (ao centro) comemora com o irmão após sua libertação da prisão na igreja de La Candelaria, em Caracas - Federico Parra /AFP

Pelo menos nove venezuelanos foram libertados de uma prisão de Caracas no domingo (1º), incluindo o ativista de direitos humanos Javier Tarazona, 43, preso há quatro anos e sete meses. A medida é a mais recente em um processo de libertações que já dura semanas e que, segundo familiares dos detidos, avança lentamente.

A ONG Foro Penal, que monitora presos políticos na Venezuela, diz ter verificado mais de 300 libertações de prisioneiros políticos desde que o regime anunciou a nova série de solturas em 8 de janeiro. Em post no X neste domingo, o grupo confirma que além de Tarazona, foram soltos o ativista político Luis Isturiz, o agricultor Victor Castillo e o líder político Yandir Loggiodice, além de Mauricio Giampaoli, Willians Diaz, Rodrigo Perez, Omaira Salazar e Guillermo Lopez.

Horas depois da libertação, Tarazona pediu reconciliação nacional em entrevista à AFP. O ativista disse que passou 1.675 dias em um “lugar escuro”. Ele também criticou o fato de que só foram liberados após a ação dos Estados Unidos na Venezuela que gerou a captura do ditador Nicolás Maduro.

“[Foram] 1.675 dias em um lugar escuro (…) Não é possível que se continue repetindo este tipo de casos (…) que tenha que ocorrer o que ocorreu no último mês [a intervenção americana na Venezuela] para que nós tivéssemos que sair”, afirmou Tarazona após ser libertado do centro de detenção Helicoide.

A líder interina da Venezuela, Delcy Rodríguez, anunciou na sexta-feira (30) uma proposta de “lei de anistia” para centenas de prisioneiros no país e disse que o Helicoide, que grupos de direitos humanos denunciam como local de abuso de prisioneiros, será convertido em um centro para esportes e serviços sociais.

Tarazona é o diretor da FundaRedes, que monitora denúncias de abusos por grupos armados colombianos e militares venezuelanos ao longo da fronteira entre os países. Ele foi preso em julho de 2021, acusado de terrorismo e conspiração pelo regime de Maduro.

“Após 1.675 dias, quatro anos e sete meses, chegou o dia que tanto desejamos, meu irmão Javier Tarazona está livre”, disse o irmão de Tarazona, Jose Rafael Tarazona, no X. “A liberdade de um é esperança para todos.”

Autoridades do regime —que negam manter prisioneiros políticos e dizem que os encarcerados cometeram crimes— forneceram um número muito maior de libertações, mais de 600, mas não foram claras sobre prazos para a soltura e parecem estar incluindo libertações de anos anteriores. Nunca foi fornecida uma lista oficial de quantos prisioneiros serão libertados nem quem são eles.

Famílias de prisioneiros dizem que as libertações progrediram muito lentamente, e a Foro Penal afirma que mais de 700 prisioneiros políticos permanecem detidos, uma contagem atualizada incluindo prisioneiros cujas famílias não haviam relatado anteriormente suas detenções por medo das reações do regime.

Famílias e defensores de direitos humanos exigem a anulação das acusações e condenações contra detidos considerados prisioneiros políticos. Segundo eles, políticos da oposição, dissidentes dos serviços de segurança, jornalistas e ativistas de direitos humanos são alvo de acusações como terrorismo e traição, consideradas injustas e arbitrárias por seus familiares.

A proposta de lei de anistia poderia afetar centenas de detidos que permanecem atrás das grades no país sul-americano, bem como ex-prisioneiros que já foram libertados condicionalmente.

Entre os defensores de longa data das libertações e anistia está a vencedora do Prêmio Nobel da Paz e líder da oposição María Corina Machado.

Muitos parentes de detidos, tanto conhecidos quanto menos conhecidos, reuniram-se em frente às prisões, chegando a dormir lá, ou visitaram vários centros de detenção em um esforço para descobrir onde seus entes queridos estão detidos.

As recentes libertações foram anunciadas após a captura de Maduro pelos EUA e sua acusação em um tribunal de Nova York por narcoterrorismo, o que ele nega.

Entre as figuras proeminentes ainda detidas estão o político da oposição Juan Pablo Guanipa e o advogado Perkins Rocha, ambos aliados próximos de María Corina, e o líder opositor Freddy Superlano.

Entre os libertados até agora está Rafael Tudares, genro do ex-candidato presidencial da oposição Edmundo Gonzalez, que ficou preso por mais de um ano, durante o qual foi condenado a 30 anos por acusações de terrorismo que sua família negou categoricamente.

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