Pedido de filha de Virginia Fonseca e Zé Felipe levanta debate sobre fama precoce

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Virginia Fonseca e as filhas

O pedido de Maria Alice para acompanhar o pai, Zé Felipe, ao shopping e o aviso: “vou tirar foto com todo mundo”, dito com naturalidade pela pequena, chamaram atenção não apenas pela fofura da cena, mas pelo que ela revela sobre a infância vivida sob os holofotes. Filha de Virginia Fonseca com o cantor, a menina já demonstra familiaridade com a lógica da fama, algo que especialistas avaliam com cautela.

Para a psiquiatra Jessica Martani, a exposição constante desde cedo pode trazer efeitos silenciosos.

“A infância é um período decisivo para a formação da identidade e da autoestima. Quando a criança cresce sendo observada, elogiada ou criticada por um grande público, ela pode começar a se perceber a partir do olhar externo, e não do próprio sentimento. Isso aumenta o risco de ansiedade, medo de errar e dificuldade de construir uma identidade autônoma”, explicou.

A pediatra Renata Castro reforçou que o problema não está em episódios pontuais, mas na repetição: “Quando a criança passa a naturalizar a ideia de que precisa estar disponível para fotos, vídeos e interações públicas, existe uma antecipação de responsabilidades emocionais que não correspondem à idade dela. A criança deixa de ser apenas criança e passa a ocupar um lugar de personagem”, afirmou.

Exposição digital

Outro ponto sensível é a exposição digital. Segundo Jessica Martani, a prática conhecida como sharenting, quando pais compartilham de forma frequente a rotina dos filhos, pode ter consequências duradouras.

“A internet cria um histórico permanente. A criança cresce sabendo que partes da sua vida foram expostas sem consentimento. Além disso, surgem riscos como comentários maldosos, comparações, cyberbullying e até o uso indevido de imagens”, alertou.

A pediatra Fabiana Soares, médica de família e pediatra, destacou que a fama em si não é o maior problema: “O que preocupa é quando ela chega numa fase em que a criança ainda está se formando como pessoa. A infância é o momento de errar, de fazer birra, de brincar sem plateia. Quando a criança vira alguém muito conhecido, pode começar a achar que precisa estar sempre bem, sempre agradando”, explicou.

Fabiana também chamou atenção para a perda precoce da privacidade. “A criança cresce com a sensação de que tudo pode virar conteúdo. Isso pode afetar a autoestima, a forma como ela se relaciona com os outros e a noção do que é íntimo ou público. Sem contar os riscos de segurança, quando se expõe demais rotina e localização”, pontuou.

Para os especialistas, proteger não significa afastar completamente da vida pública, mas estabelecer limites claros: “É papel dos adultos filtrar o que será mostrado, respeitar quando a criança não quiser aparecer e preservar momentos de fragilidade. Proteger é garantir que ela tenha espaços sem câmera, sem cobrança e sem performance”, disse Fabiana Soares.

Mundo real x virtual

Jessica Martani completou que o equilíbrio entre o mundo real e o virtual é essencial. “Brincar, conviver com outras crianças, ter hobbies e experiências fora das redes ajuda a construir autoestima e segurança emocional. A fama pode passar, mas os efeitos de uma infância exposta ficam”, concluiu.

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