Venezuela não terá eleições até concluir estabilização, diz presidente da Assembleia
Familiares de presos políticos fazem vigília em frente à prisão El Rodeo, em protesto pela lei da anistia, em Guatire, Venezuela - Maxwell Briceno/Reuters
Não haverá eleições na Venezuela enquanto a estabilização for necessária, afirmou o presidente da Assembleia Nacional, Jorge Rodríguez, à emissora Newsmax na segunda-feira (9), mais de um mês depois de os Estados Unidos terem capturado e deposto o ditador Nicolás Maduro.
A declaração de Jorge ocorreu no mesmo dia em que o Parlamento da Venezuela adiou a sessão na qual era esperada a aprovação da lei de anistia, que deve permitir a libertação de todos os presos políticos do país.
As sessões da Assembleia Nacional normalmente acontecem às terças e quintas, mas a Secretaria do Poder Legislativo informou a suspensão da audiência desta terça e confirmou a de quinta, sem antecipar a agenda.
Os deputados votaram na semana passada a favor desta histórica lei, que abrange as quase três décadas de chavismo. O instrumento foi proposto pela líder interina, Delcy Rodríguez, que continua sob pressão do presidente americano, Donald Trump.
O presidente da Assembleia, que é irmaõ de Delcy, havia antecipado na semana passada que a anistia geral seria aprovada nesta terça. “Assim que essa lei for aprovada, todos vão sair no mesmo dia”, prometeu ele.
O projeto de lei passa por um processo de consultas, que já envolveu dirigentes políticos, juristas e membros do Judiciário. “Vamos todos nos unir, de todos os setores do país, vamos nos unir por esta lei de anistia”, disse Delcy na segunda-feira durante um discurso televisionado.
Segundo a ONG Foro Penal, 426 pessoas detidas por motivos políticos saíram da prisão desde 8 de janeiro, quando Delcy anunciou o início de um processo de libertação. O chavismo convocou para a quinta uma marcha pelo dia da juventude, que é comemorado na Venezuela em 12 de fevereiro.
Com Reuters e AFP