Reunião entre Trump e Netanyahu termina sem definição sobre Irã

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O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, cumprimenta o primeiro-ministro de Israel, Binyamin Netanyahu, no Knesset, em Jerusalém - Evelyn Hockstein - 13.out.25/Reuters

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, disse que não tomou nenhuma decisão definitiva sobre o Irã durante sua reunião com o primeiro-ministro de Israel, Binyamin Netanyahu, na quarta-feira (11) na Casa Branca. Trump recebeu o premiê em meio ao aumento de tensões com o país persa e dias depois de Tel Aviv aumentar os próprios poderes na Cisjordânia ocupada.

“Foi uma excelente reunião, e a tremenda relação entre nossos dois países continua”, escreveu Trump na sua rede social, a Truth Social. “Não chegamos a nada definitivo, mas insisti que negociações com o Irã continuem para sabermos se um acordo pode ser concluído”, afirmou, em relação ao programa nuclear iraniano.

“Da última vez, o Irã decidiu que era melhor não fazer um acordo, e foram atingidos pela operação Martelo da Meia-Noite”, prosseguiu Trump, em referência ao ataque americano contra instalações nucleares iranianas em fevereiro de 2025. “Espero que dessa vez eles sejam mais razoáveis e responsáveis.”

Por fim, o americano disse ter discutido com Netanyahu próximas ações na Faixa de Gaza, onde existe um frágil cessar-fogo —apesar de ataques frequentes de Israel contra o território. “Há, verdadeiramente, PAZ no Oriente Médio”, concluiu Trump no comunicado.

Já o escritório de Netanyahu emitiu uma nota sucinta após o encontro, dizendo que os líderes falaram sobre “as negociações com o Irã, Gaza e acontecimentos regionais”. “O primeiro-ministro enfatizou as exigências de segurança do Estado de Israel no contexto das negociações”, diz a nota.

Os EUA têm um porta-aviões estacionado nas proximidades do Irã, e Trump ameaçou enviar outro na terça (10). Washington vem montando um cerco militar ao redor do país persa, mas o republicano manda sinais trocados sobre o que pretende fazer. Após sugerir que poderia intervir para ajudar os manifestantes que protestavam contra o regime iraniano, Trump disse que Teerã havia cancelado execuções públicas e não agiu contra o país.

Porém, mesmo com os protestos arrefecendo e com a retórica voltada ao seu desejo de anexar a Groenlândia, o presidente continuou enviando ativos militares para a região e retirando tropas de bases militares que poderiam ser alvo de uma retaliação iraniana. As movimentações levaram analistas militares a especular que um ataque americano era iminente.

Agora, Trump voltou a falar em chegar a um acordo com o Irã —apesar dos protestos de Israel. “O regime iraniano provou repetidamente que não cumpre suas promessas. Não é possível confiar nele”, disse Netanyahu no último dia 3 após reunião com Steve Witkoff, enviado de Trump para o Oriente Médio.

O presidente dos EUA disse na terça que o Irã seria “muito tolo” se optasse por não chegar a um acordo sobre seu programa nuclear. Na segunda (9), o chefe da agência de energia atômica iraniana disse que o país poderia diluir seu estoque de urânio altamente enriquecido —necessário para a fabricação de uma bomba— em troca da suspensão de algumas sanções econômicas.

Mas o Irã se recusa a abrir mão da capacidade de enriquecer o material físsil, uma das principais exigências americanas. Usinas nucleares convencionais utilizam urânio com até 5% de enriquecimento, enquanto armas atômicas requerem pureza de mais de 90%. Teerã tem estoques do material com cerca de 60% de enriquecimento, de acordo com a IAEA (Agência Internacional de Energia Atômica), órgão da ONU.

Em rodadas anteriores de negociação, levantou-se a hipótese de que o regime poderia abrir mão do processamento próprio de urânio, que seria enriquecido em países terceiros e importado ao Irã para uso exclusivamente civil. Até aqui, Teerã rejeita a ideia, citando preocupações de soberania.

No comunicado após a reunião, nem Trump nem Netanyahu fizeram menção às novas medidas anunciadas no domingo (8) pelo governo de Israel contra a Cisjordânia, território palestino ocupado.

O gabinete de segurança israelense resolveu flexibilizar aquisições de terras por colonos judeus e ampliar seu controle do local religioso da Tumba dos Patriarcas, que fica na cidade palestina de Hebron. Também expandiu as possibilidades sob as quais as Forças Armadas podem interferir em setores da Cisjordânia sob governo parcial da Autoridade Palestina.

O anúncio foi feito pelo ministro da Defesa, Israel Katz, e pelo ministro das Finanças, o extremista Bezalel Smotrich. Ele disse que a medida tem como objetivo “enterrar a ideia de um Estado palestino”.

A Cisjordânia está entre os territórios que os palestinos reivindicam para um futuro Estado independente. Grande parte dela está sob controle militar israelense, com governo palestino limitado em algumas áreas administradas pela Autoridade Palestina.

Até aqui, os assentamentos judaicos que ocupam boa parte do território palestino —de maneira ilegal, segundo a grande maioria da comunidade internacional— foram formados principalmente por meio de confisco de terras de palestinos com apoio das Forças Armadas israelenses. Com a mudança, cidadãos privados judeus poderiam adquirir terras por conta própria.

Países como o Reino Unido, França, Canadá, Alemanha e Brasil criticaram as novas medidas. O Itamaraty disse que o governo “deplora as medidas aprovadas em pelo gabinete de segurança de Israel que facilitam a aquisição de imóveis por cidadãos israelenses na Cisjordânia”. Para a diplomacia brasileira, as novas regras “favorecerão a expansão de assentamentos ilegais e contribuirão para ampliar a ingerência de Israel sobre o território palestino ocupado”.

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