Otan anuncia missão no Ártico para ampliar vigilância diante de tensão com os EUA

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Soldados dinamarqueses durante treinamento de tiro na Groenlândia - Simon Elbeck/Forças Armadas da Dinamarca/AFP

A Otan, a aliança militar ocidental, anunciou na quarta (11) uma nova missão no Ártico para ampliar a capacidade de vigilância e presença militar na região. A iniciativa ocorre em um contexto de tensão entre o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e aliados europeus relacionado à Groenlândia.

Segundo comunicado divulgado pela organização, a missão vai coordenar o aumento das atividades de aliados no Ártico, incluindo exercícios conduzidos na Groenlândia, território autônomo da Dinamarca. A Otan não detalhou o número de tropas nem os tipos de equipamentos que serão mobilizados.

O secretário-geral da aliança, Mark Rutte, afirmou que a iniciativa reunirá sob um comando único diferentes esforços de países-membros em um contexto de maior interesse da Rússia e da China pelo Ártico, onde novas rotas marítimas surgem com o derretimento do gelo. Ele disse que a missão permitirá aproveitar melhor os recursos existentes e identificar lacunas que precisarão ser preenchidas.

O ministro da Defesa da Alemanha, Boris Pistorius, afirmou que as forças alemãs participarão da primeira fase com quatro caças Eurofighter e capacidade de reabastecimento aéreo. Segundo ele, as etapas seguintes ainda serão coordenadas entre os aliados.

Autoridades afirmam que o foco inicial não deverá ser o envio de grandes contingentes, mas sim o uso mais eficiente dos recursos que a Otan já mantém na região. Um representante da aliança disse que a iniciativa faz parte dos esforços para fortalecer a dissuasão e a defesa no Ártico.

O planejamento da missão começou após conversas entre Trump e Rutte em Davos, no mês passado, durante o auge da crise envolvendo a Groenlândia. O presidente americano afirmou que o território seria estratégico para a segurança nacional dos EUA devido à localização essencial para detectar possíveis ataques com mísseis de longo alcance. O republicano chegou a ameaçar tarifas contra a Dinamarca e outros países europeus e não descartou o uso da força, o que gerou críticas de líderes do continente.

Autoridades dinamarquesas e europeias responderam que os EUA já mantêm uma base militar na Groenlândia e têm autorização para expandir sua presença sob um acordo de 1951. Alguns integrantes da aliança avaliam que a proposta americana estaria ligada ao interesse em ampliar o território dos EUA.

A missão será liderada pelo Comando Conjunto da Otan em Norfolk, nos EUA. O general da Força Aérea americana Alexus G. Grynkewich disse que a operação demonstra o compromisso da organização em proteger seus membros e manter a estabilidade em uma das regiões mais estratégicas do planeta.

A Dinamarca afirmou esperar contribuir de forma significativa para a missão, em coordenação com a Groenlândia e as Ilhas Faroé, embora os detalhes dependam de negociações com os aliados. O ministro da Defesa do Reino Unido, John Healey, também disse que as forças britânicas terão papel relevante.

Embora tenha amenizado o discurso nos últimos dias, Trump ameaça anexar a Groenlândia sob o argumento de que a região é essencial para a segurança dos EUA. Diversos países enviaram pequenos contingentes à ilha em resposta às falas do republicano: França, Alemanha, Noruega, Suécia, Finlândia, Holanda e Reino Unido se uniram à Dinamarca, que tem o maior efetivo, de cerca de 120 militares.

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