Investigação identifica membros da ultraesquerda entre suspeitos de linchar ativista na França
Membros do Parlamento e do governo francês participam de um minuto de silêncio em homenagem a Quentin Deranque, ativista de ultradireita que morreu após linchamento em Lyon - Sarah Meyssonnier/Reuters
por AFP
Vários suspeitos de terem matado o ativista de ultradireita Quentin Deranque em Lyon, no sudeste da França, foram identificados como membros da ultraesquerda, disse à AFP uma pessoa que acompanha o caso de perto.
Segundo a agência de notícias, os suspeitos não estão listados como indivíduos considerados uma ameaça à segurança do Estado.
De acordo com o promotor de Lyon, Thierry Dran, Deranque foi derrubado e espancado por “pelo menos seis indivíduos” encapuzados na quinta-feira (12), à margem de um evento em Lyon de Rima Hassan, eurodeputada do principal partido da ultraesquerda francesa, A França Insubmissa (LFI).
O homem de 23 anos não resistiu aos ferimentos e morreu no sábado (14). Ainda não houve detenções ligadas ao caso.
O coletivo de mulheres de ultradireita Némésis afirma que o estudante era responsável por garantir a segurança de vários de seus membros que haviam ido protestar na conferência organizada por Hassan. A ultradireita atribui o ataque a ativistas do movimento antifascista Jovem Guarda, co-fundado por um deputado da LFI antes de ser eleito e que foi dissolvido em junho do ano passado.
O grupo negou no domingo (15) qualquer vínculo com os “eventos trágicos”. Já a LFI, do ex-candidato à presidência Jean-Luc Mélenchon, expressou indignação com o que considera uma exploração política do caso.
A morte de Deranque abalou a política da França a um mês das eleições municipais de março e a pouco mais de um ano da corrida presidencial de 2027.
No domingo (15), o ministro da Justiça, Gerard Darmanin, acusou políticos da LFI de instigar atos violentos em seus discursos. O mesmo tom foi adotado pelo porta-voz do governo, Maud Bregeon, para quem a LFI “incentivou um clima de violência durante anos”. “Existe, portanto, à luz do clima político e do clima de violência, uma responsabilidade moral por parte da LFI”, afirmou Bregeon em declarações ao canal francês BFMTV.
Já o presidente centrista Emmanuel Macron falou em “violência sem precedentes”. “Na República, nenhuma causa, nenhuma ideologia justificará jamais a morte”, afirmou na rede social X.
As eleições municipais do mês que vem são consideradas um teste para a de 2027, que elegerá o sucessor de Macron, impedido de se candidatar após dois mandatos consecutivos.
As pesquisas de opinião apontam como favorita a legenda de ultradireita Reunião Nacional (RN). Com Marine Le Pen como candidata, a sigla passou ao segundo turno nas duas eleições presidenciais vencidas por Macron.
No entanto, Le Pen está atualmente inelegível por uma condenação por desvio de recursos públicos, contra a qual apresentou recurso. Ela indicou que decidirá se será candidata quando for anunciada, em julho, a pena do julgamento em segunda instância.
Caso a inelegibilidade seja mantida, Le Pen poderá ceder a liderança a seu protegido, Jordan Bardella, a quem já entregou a presidência da RN.
Com apenas 30 anos, Bardella apareceu como o presidenciável favorito em uma pesquisa com mil pessoas divulgada no domingo (15). Em segundo lugar ficou Le Pen, à frente do ex-primeiro-ministro centrista Edouard Philippe e do atual ministro da Justiça, Gerald Darmanin.