Aliados de Lula falam em fazer dever de casa após avanço de Flávio e esperam novo rumo na campanha
Lula // Flávio Bolsonaro
por Folha de S.Paulo
Aliados do presidente Lula (PT) atrelam o avanço de Flávio Bolsonaro (PL) na pesquisa Datafolha divulgada no sábado (7) a um momento de sequenciais notícias negativas para o governo. Apesar de o resultado ter acendido alerta, a aposta no PT e no Planalto é que, se fizerem o “dever de casa”, o cenário mudará durante a campanha, quando o pré-candidato de oposição passará a ser escrutinado.
Sob reserva, petistas consideram que o período de coleta de opinião, de terça (3) a quinta (5), pegou o rescaldo do Carnaval, quando um desfile em homenagem a Lula retratou famílias em latas de conserva, causando forte reação. Também abarcou a quebra de sigilo do filho do presidente, o Lulinha, e a citação do banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Master, sobre uma conversa com o petista.
“A campanha não começou. Quando o Brasil conhecer Flávio Bolsonaro, os rumos devem mudar. E isso vai se refletir na consciência e na opção de voto do povo brasileiro”, afirmou o ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Guilherme Boulos (PSOL).
A pesquisa mostrou Flávio Bolsonaro se aproximando de Lula nas simulações de primeiro turno e empatado tecnicamente no segundo, marcando 43% de intenção de voto ante 46% do rival. Foi o primeiro levantamento Datafolha após o senador fluminense ser lançado pelo pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), como pré-candidato à Presidência.
O secretário de comunicação do PT, Éden Valadares, evita citar motivos específicos para o avanço de Flávio, mas destaca resiliência do atual presidente na pesquisa. “De um lado, confirma o clima de polarização que o Brasil experimenta na política há anos. De outro, reafirma o favoritismo do presidente Lula, pois a gente vem há semanas só com pauta negativa, com agenda ruim, e Lula segue liderando contra todos candidatos. É ter humildade para saber ler a pesquisa e tirar lições pois ainda temos muito dever de casa para fazer”, disse.
O presidente do PT, Edinho Silva, avaliou que “a pesquisa demonstra a fotografia de hoje” e diz que “nada aponta” para a consolidação do atual cenário. O dirigente também cita a polarização como principal motivo para ascensão de Flávio, mas considera que Lula “tem muito o que mostrar” em quesito de entregas. “O Brasil nunca viveu na última década um momento tão favorável”, disse.
O petista também faz referência à tentativa de moderação de Flávio, que tenta se distanciar do perfil beligerante de Bolsonaro. “Seria ingenuidade acreditar que o ‘bom mocismo do Flávio’ não terá por trás o fascismo do pai, a submissão internacional, a destruição da democracia brasileira, o fim de um Brasil de igualdade de oportunidades, que combata os privilégios. Essa será a grande disputa. A razão será a vitoriosa e o presidente Lula por consequência”, concluiu o presidente do PT.
Na sigla, a ordem é evitar dar munição para adversários e trabalhar pela aprovação de propostas que podem alavancar a popularidade do governo como o fim da escala 6×1.
Um cacique do centrão ouvido pela Folha fez uma avaliação semelhante à do presidente do PT. Ele reconhece o avanço e a consolidação de Flávio, mas diz que é cedo para tirar qualquer conclusão sobre risco para Lula.
A PESQUISA
O Datafolha ouviu 2.004 eleitores em 137 municípios de terça-feira (3) a quinta-feira (5). Com margem de erro de dois pontos para mais ou para menos, o levantamento está registrado na Justiça Eleitoral sob o código BR-03715/2026.
O Datafolha testou cinco cenários para o pleito de primeiro turno e sete para o de segundo. Lula segue à frente em todos, mas sua vantagem está em queda.
No cenário hoje mais provável, Lula tem 38% ante 32% de Flávio. Ratinho Jr (PSD) vem a seguir com 7% e o governador mineiro, Romeu Zema (Novo), com 4%. Depois vêm Renan Santos (Missão), com 3%, e Aldo Rebelo (DC), com 2%. Rejeitam todos os candidatos 11%, e 3% dizem não saber em quem votar.