EUA dizem que americanos sentirão alívio na gasolina em algumas semanas

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Uma gota de gasolina cai do bico de uma bomba de combustível em um posto de gasolina em Vélizy-Villacoublay, perto de Paris

O secretário de Energia dos EUA, Chris Wright, afirmou hoje que os norte-americanos devem sentir alívio nos preços da gasolina “em mais algumas semanas”.

O que aconteceu

Governo espera gasolina abaixo de US$ 3 por galão até o verão nos EUA, que começa no dia 21 de junho. Wright disse que o Estreito de Hormuz, principal rota marítima de exportação de petróleo, não é seguro no momento e que Trump trabalha com outros países para reverter a situação. Atualmente, o preço nacional do galão no país gira em torno de US$ 3,60. (Entenda mais abaixo)

” Os norte-americanos estão sentindo isso agora (…) Sentirão isso por mais algumas semanas.”

Chris Wright, secretário de Energia, em entrevista à NBC News

Preço de barril de petróleo Brent, referência internacional para o petróleo, subiu mais de 42%. Isso ocorreu devido à queda nas entregas no Golfo Pérsico. Seu preço subiu de US$ 72,48 por barril, em 27 de fevereiro, para US$ 115,14 na sexta-feira (20).

Valores voltaram a subir após EUA aliviarem parte das sanções ao óleo russo. O alívio chegou a frear a alta, mas a proximidade do fim de semana levou investidores a manter posições de proteção.

Quando a guerra terminar] Iremos para um mundo com mais energia, mais acessível em termos de energia e menos arriscado para os soldados norte-americanos e para o comércio no Oriente Médio.

Chris Wright em entrevista à NBC News

Presidente Donald Trump minimizou ontem a subida meteórica dos preços. “Acho que eles vão cair mais do que estavam antes, e eu os previa em mínimas históricas”, afirmou, em entrevista por telefone à NBC News.

Bloqueio pode impactar nos preços do petróleo

O Estreito de Hormuz é a via estreita entre Irã e Omã que liga o Golfo ao Mar Arábico. Em condições normais, ele concentra a saída de cargas de grandes produtores como Arábia Saudita, Iraque, Irã, Emirados Árabes Unidos, Kuwait e Qatar, segundo a Reuters.

Por ali passa o equivalente a cerca de 20% do consumo global de petróleo em um dia normal. A interrupção dessa rota é o motivo de o conflito ter impacto imediato no preço do barril e no custo do frete, já que parte relevante do abastecimento mundial depende desse corredor.

Analistas e autoridades do setor citam que um bloqueio pode reter de 20% a 25% do petróleo exportado no mundo. O volume retido seria de mais de 20 milhões de barris por dia, com destino principalmente a países da Ásia, como China, Japão, Índia e Filipinas, segundo especialistas ouvidos pelo UOL.

O impacto tende a ser maior na Ásia, que concentra grande parte da demanda por petróleo do Oriente Médio. Metade do fornecimento da China, maior importadora global, e 90% do Japão vêm da região.

Empresas de navegação e grandes companhias de petróleo passaram a suspender embarques e operações no entorno do estreito. Os embarques pela rota ficaram paralisados após armadores receberem um aviso do Irã informando que a área estava fechada para a navegação.

Por que Hormuz mexe com preços no mundo inteiro

Conflito prolongado pode empurrar o Brent para perto de US$ 100, segundo projeções. Especialistas ouvidos pelo UOL afirmam que, com o barril hoje em torno de US$ 70, uma escalada pode alimentar inflação e recessão global.

No Brasil, a alta lá fora tende a pressionar gasolina, diesel e gás de cozinha. Roberto Ardenghy, presidente do IBP (Instituto Brasileiro de Petróleo), disse ao UOL que, embora o país seja produtor, o preço interno segue o mercado internacional, o que aumenta a pressão sobre combustíveis.

O que pode aliviar (ou não) a falta de petróleo

A Opep+ decidiu elevar a produção em 206 mil barris por dia em meio à crise. O aumento é modesto e ocorre no momento em que a guerra e a retaliação de Teerã interromperam o fluxo de petróleo no Oriente Médio.

Analistas citados pela Reuters dizem que o grupo tem pouca capacidade disponível fora de Arábia Saudita e Emirados. Mesmo esses países, segundo a agência, podem ter dificuldade para exportar até que a navegação no Golfo volte ao normal.

Compradores e governos avaliam estoques e buscam rotas alternativas para segurar o abastecimento. Na Índia, refinarias estatais já procuravam novos fornecedores e um funcionário disse à Reuters que há reservas para 20 dias de petróleo bruto e gás liquefeito de petróleo.

Na Coreia do Sul, o governo sinalizou que pode liberar petróleo de estoques se a interrupção se prolongar. Um funcionário de refinaria afirmou à Reuters que os estoques mantidos em conjunto com a estatal Korean National Oil Corp podem durar sete meses.

Para o Brasil, especialistas veem chance de ampliar exportações se importadores precisarem substituir fornecedores do Oriente Médio. Ardenghy disse que o petróleo foi o principal produto exportado pelo Brasil em 2025 e que a reorganização dos mercados vai depender de quão profunda será a crise na região.

Entenda o ataque coordenado

EUA e Israel lançaram no fim de fevereiro um ataque coordenado contra o Irã, que declarou ter retaliado atacando bases militares americanas no Oriente Médio. Trump disse que o objetivo da ação era defender o povo americano.

Em resposta ao ataque, forças iranianas lançaram mísseis contra Israel, que imediatamente fechou o espaço aéreo e declarou estado de emergência. A Hrana, agência de notícias focada em direitos humanos no Irã, contabiliza após 16 dias de guerra.

  • Vítimas civis: 1.319 pessoas (incluindo pelo menos 206 crianças)
  • Mortes militares: 1122 pessoas
  • Mortes não classificadas (civis/militares): 599 pessoas

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