
Romeu Zema (Novo) oficializou neste domingo (22) sua renúncia ao cargo de governador de Minas Gerais, passando o bastão para o vice e pré-candidato ao cargo, Mateus Simões (PSD).
A manobra, que ocorre pouco menos de duas semanas antes do prazo limite da Justiça Eleitoral, tem como objetivo declarado pavimentar a pré-campanha de Zema à Presidência da República. Em seu discurso de despedida, o agora ex-governador adotou um tom de ataque ao governo Lula, tentando se cacifar como nome da oposição, embora nos bastidores articule para ser o vice na chapa do senador Flávio Bolsonaro (PL).
Enquanto Zema mira o Planalto, seu sucessor assume o estado em meio a um cenário de fragmentação da direita e da extrema direita no estado. A disputa pela composição da chapa que disputará o governo do estado tem causado estranhamento entre os partidos da aliança em torno de Simões.
O acordo prévio de que o partido Novo indicaria o vice, com a vereadora de Belo Horizonte Fernanda Altoé como favorita, passou a ser questionado após o presidente do PSD em Minas, deputado estadual Cássio Soares, em uma agenda com jornalistas no início de março, ter sugerido que a indicação do vice de Simões pelo Novo não estaria garantida, segundo relata o jornal O Globo.
Base de Zema e o fator Cleitinho
O possível racha abriu espaço para o avanço de outras candidaturas no campo conservador como a do senador Cleitinho Azevedo (Republicanos), que já definiu seu pré-candidato a vice: o prefeito de Patos de Minas, Luís Eduardo Falcão.
A escolha é uma afronta direta a Simões, que acumula atritos públicos com Falcão. No início do ano, a esposa do prefeito, deputada estadual Lud Falcão (Podemos), relatou ter recebido uma ligação em tom de ameaça de Simões, na qual o então vice-governador teria ameaçado “fechar as portas” do Executivo caso o marido da parlamentar não se desculpasse por críticas feitas à gestão do governo estadual.
O clima de divisão atinge também o PL, partido do ex-presidente Jair Bolsonaro, que ainda não sabe quem apoiar no estado. Enquanto alguns deputados estaduais da sigla defendem abertamente o nome de Cleitinho, o deputado federal Nikolas Ferreira tenta costurar o apoio do partido a Simões. Contudo, anotações de Flávio Bolsonaro reveladas pela Folha de S. Paulo apontaram que o PL avaliaria que o atual governador “puxa para baixo” um eventual palanque bolsonarista.
Simões e o PSD
Ainda que faça parte do PSD, onde o presidente nacional, Gilberto Kassab, espera lançar um nome à presidência da República entre três governadores, Ratinho Jr., Eduardo Leite e Ronaldo Caiado, Simões promete lealdade a Romeu Zema.
“Nesse momento, o que muita gente vê, acho que o Kassab e o Zema também, é um cenário parecido com o que tínhamos em Minas em 2018, em que havia o PT no governo desgastado e um retorno, nesse caso não é do [ex-]presidente [Jair] Bolsonaro, é do Flávio, que pode evocar a derrota de 2022, ou seja, pode repetir um movimento que deu errado. E aí as pessoas podem olhar e falar: gente, tem outro, não? Porque desses daí eu cansei”, disse Simões, em entrevista à Folha de S. Paulo.
Em seguida, mostrou, no discurso, seu compromisso com Zema. “Acho que é essa leitura do Kassab, e é por isso que ele não se importa em dar liberdade para os governadores e eu aqui apoiar o Zema. A proposta da candidatura de Zema e de Ratinho não é de eleição com base em apoio político, mas com base em leitura popular. É óbvio que eu tenho que estar com o Zema por questão de coerência.””