EUA dizem ter recuperado 2º piloto no Irã; regime afirma que destruiu aviões de resgate

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Supostos destroços de aeronaves americanas que teriam sido abatidas durante operação de resgate na região de Isfahan, no Irã - Reprodução - 5.abr.26/via Reuters

por Folha de S.Paulo

O presidente Donald Trump afirmou no domingo (5) que tropas americanas resgataram no Irã o segundo tripulante do caça dos Estados Unidos derrubado na sexta-feira (3) em meio ao conflito entre os dois países —segundo relatos de autoridades do governo, um dos pilotos já havia sido encontrado no dia da queda. Ainda pouco claros, detalhes do ocorrido alimentam a guerra de versões sobre a operação.

Segundo a imprensa americana, citando funcionários americanos sob anonimato, duas aeronaves C-130 utilizadas na missão ficaram presas em uma pista de pouso arenosa após o resgate do militar. Os integrantes da operação, então, chamaram por aviões de reposição, que então retiraram o resgatado e toda a equipe das duas aeronaves iniciais, além dos tripulantes dois helicópteros que acompanharam os C-130.

“Meus compatriotas americanos, nas últimas horas, as Forças Armadas dos Estados Unidos realizaram uma das operações de busca e resgate mais ousadas da história dos EUA, para um de nossos incríveis oficiais tripulantes, que também é um coronel altamente respeitado, e que tenho a alegria de informar que agora está SÃO E SALVO!”, afirmou Trump em sua rede, a Truth Social.

Mais tarde, o presidente americano disse que o coronel resgatado estava “gravemente ferido”, sem dar mais detalhes. Segundo ele, não houve baixas americanas na operação de resgate, que teria envolvido centenas de soldados de forças especiais.

Outro detalhe divulgado por autoridades anônimas do governo americano e reafirmado por autoridades israelenses à imprensa do Estado judeu dá conta de que o Pentágono bombardeou as quatro aeronaves que ficaram presas na pista de pouso após o resgate, para evitar que elas fossem tomadas pela República Islâmica. Teerã, por sua vez, afirmou ter destruído as quatro aeronaves envolvidas na busca e chamou a operação americana de “um fracasso”.

Segundo um porta-voz das Forças Armadas iranianas, “investigações adicionais realizadas por especialistas em terra revelaram que dois aviões de transporte militar C-130 e dois helicópteros Black Hawk do Exército dos EUA foram destruídos por nossas forças”.

Declarações separadas do Exército iraniano e da Guarda Revolucionária informaram ainda que um drone israelense Hermes-900 e um drone americano MQ-9 também foram abatidos na região. As forças americanas não confirmaram nenhum dos relatos.

Em seguida às primeiras reações sobre o tema neste domingo, Trump publicou nova ameaça ao regime iraniano, sugerindo um ataque massivo contra a infraestrutura civil e energética do país e instando a abertura do estreito de Hormuz: “Abram a porra do estreito, seus malucos do caralho, ou vão viver no inferno! Paguem pra ver! Louvado seja Alá”.

Em seguida, um porta-voz da chanceleria iraniana afirmou que Teerã vai responder com reciprocidade a ataques a sua infraestrutura mirando alvos similares dos EUA ou relacionados a Washington, segundo a agência de notícias iraniana Wana.

À emissora Fox News, entretanto, Trump disse acreditar que um acordo com o Irã é possível na segunda (6), dia em que terminaria seu novo ultimato para a abertura do estreito. Também afirmou ter enviado armas a manifestantes iranianos que foram às ruas no início do ano —mas que os curdos do Iraque, os supostos intermediários, teriam ficado com o armamento.

Horas depois, Trump conversou com o Wall Street Journal e estendeu o prazo para terça-feira (7) à noite. Ele também renovou as ameaças contra o Irã. “Se eles não colaborarem, se mantiverem [o estreito] fechado, vão perder todas as usinas de energia que têm no país”, afirmou o republicano. Ataques contra infraestrutura civil, como a rede de energia, geralmente são classificados de crimes de guerra.

O Irã afirmou na sexta (3) ter atingido o caça dos EUA com dois tripulantes, e o governo americano não contestou que a causa da queda tenha sido a artilharia iraniana. O Pentágono não comentou o incidente e, em breve entrevista por telefone com a rede de televisão NBC News, Donald Trump havia afirmado que o caso não afeta negociações com Teerã.

As intensas buscas levantaram preocupações de que o segundo militar desaparecido, caso fosse capturado pela regime iraniano, pudesse ser usado como forma de pressão contra Washington. O Irã ofereceu uma recompensa para quem o encontrasse.

Em comunicado posterior, Trump detalhou que “o Exército iraniano estava empenhado em uma busca intensa, com grande efetivo, e se aproximando cada vez mais” do militar americano resgatado. Segundo ele, a operação de resgate dos EUA foi “uma demonstração INCRÍVEL de bravura e talento de todos!”.

O comandante operacional do Exército iraniano, Khatam al-Anbiya, afirmou neste sábado (4) que um novo sistema de defesa aérea foi utilizado para atingir o caça americano e que o regime planeja ter controle total sobre o espaço aéreo do país.

Segundo comunicado de Trump, o modelo da aeronave abatida é o F-15E. Inicialmente, a mídia estatal do Irã anunciou ter derrubado um caça F-35, mas relatos posteriores na imprensa americana citaram o modelo F-15E, que transporta dois tripulantes.

A emissora CBS News afirmou que verificou imagens publicadas nas redes sociais que mostram um avião de reabastecimento e dois helicópteros voando baixo sobre a província de Cuzistão, no Irã, compatível com uma missão de busca e resgate.

Essa é a primeira vez desde 2003 que um avião de c ombate dos EUA é abatido em solo inimigo. No início da guerra do Iraque, um A-10A Thunderbolt 2 caiu após ser atingido por um míssil das forças de Saddam Hussein. Em 2020, no entanto, quando um avião americano caiu no Afeganistão, o Talibã afirmou ter derrubado a aeronave —algo rejeitado pelo governo do democrata Joe Biden à época.

O incidente ocorre após ameaças de Trump de bombardear o país, enquanto pressiona Teerã a encerrar a guerra nos termos dos EUA. O ataque às aeronaves acontece ainda depois de o presidente americano e membros do alto escalão do governo debocharem da capacidade militar iraniana.

No dia 4 de março, ainda na primeira semana da guerra, o secretário de Defesa, Pete Hegseth, afirmou que os EUA e Israel tinham “controle total do espaço aéreo” do Irã.

Com Reuters e AFP

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