Rafinha Bastos fala de carreira internacional, CQC e humor na TV: ‘Acabou por falta de ibope’
Rafinha Bastos
por Folha de S.Paulo
Uma das figuras mais polêmicas do showbiz brasleiro entre 2008 e 2014, Rafinha Bastos diz viver uma fase paz e amor. “Estou velho para sair brigando por aí”, afirmou ele durante o Olho no Olho, programa de entrevistas da Folha.
Desde 2018, Rafinha vem investindo em sua carreira internacional. Tem dado certo. Seu perfil voltado ao público estrangeiro no Instagram tem mais de 1 milhão de seguidores. Em fevereiro, o brasileiro foi uma das principais atrações do Just for Laughs, considerado o maior festival internacional de comédia do mundo.
“Lá fora, eu tenho mais liberdade para falar de um copinho, de fazer umas piadas sobre o cotidiano, sem ter que fazer tanta referência sobre o Brasil”, avalia.
Isso não quer dizer que Rafinha está afastado do público brasileiro. Ele mantém ativa suas contas e projetos, como seu canal no YouTube. Voltar para a TV? Se depender dele, nunca mais.
“Não faz mais sentido para mim”, afirma. “Em 2008, quando fui para o CQC, eu já notava que a internet seria melhor.”
Mas Rafinha diz não olhar para o passado com rancor. Ele sabe que seu período na Band foi importante e, inclusive, defende o CQC das críticas que o programa recebe por supostamente ter ajudado a eleger Jair Bolsonaro presidente, em 2018.
Para o humorista, o programa cometeu erros, mas teve diversos acertos. “Não olho para o passado com o olhar de hoje, como muita gente faz”, comenta. “Ali, a gente fez o melhor que podia. Não acho que a gente elegeu o Jair Bolsonaro, não acho que tenho essa culpa. Mas ajudamos a dar visibilidade para ele.”
Curiosamente, desde que Rafinha decidiu trocar o Brasil pelos EUA, os programas de humor sumiram das grades das principais emissoras de TV do país. Na avaliação do comediante, não foi culpa de escândalos com o caso Marcius Melhem na Globo, mas da falta de receptividade do público.
“Televisão é um produto caro. O humor saiu da televisão aberta pela falta de ibope”, afirma. “O Tá no Ar, do Marcelo Adnet, que todo mundo adorava na internet, derrubava a audiência. Tem a questão de agradar, mas sem audiência, não tem como dar lucro.”
Você pode conferir a íntegra da conversa abaixo, no canal da Folha no YouTube.