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Donald Trump fala durante uma coletiva de imprensa após incidente com tiros no jantar de correspondentes da Casa Branca - Kent Nishimura - 25.abr.2026/AFP

por AFP

O presidente americano Donald Trump disse no domingo (26) que o atirador que tentou invadir um jantar de gala do qual o ele participava na noite do sábado (25) havia escrito um manifesto anticristão.

“O cara é um doente”, disse ele em entrevista à Fox News. “Quando você lê o manifesto dele, ele odeia cristãos.”

“A irmã ou o irmão dele estava reclamando sobre isso. Sabe, eles estavam até reclamando para as autoridades policiais. Ele era um cara muito perturbado.”

A motivação para o ataque ainda não foi esclarecida. O suspeito se chama Cole Thomas Allen e será formalmente acusado em tribunal federal nesta segunda-feira (27) por agressão a um agente federal e disparo de arma de fogo em tentativa de matar um agente federal.

De 31 anos, o homem é professor e desenvolvedor de jogos, segundo fontes policiais. Ele mora em Torrance, cidade litorânea da Califórnia que faz parte da região de South Bay, adjacente a Los Angeles.

O jornal New York Post afirma que o suspeito enviou o manifesto a familiares dez minutos antes do ataque.

Com base no texto divulgado pelo jornal, com exclusividade, o manifesto faz uma citação ao cristianismo quando o autor menciona a máxima cristã de “oferecer a outra face”.

“Dar a outra face é para quando você mesmo é oprimido. Não sou a pessoa estuprada em um campo de detenção. Não sou o pescador executado sem julgamento. Não sou uma criança de escola explodida, uma criança faminta ou uma adolescente abusada pelos muitos criminosos desta administração. Dar a outra face quando outra pessoa é oprimida não é comportamento cristão; é cumplicidade nos crimes do opressor”, diz o texto obtido pelo New York Post.

Homem sem camisa está deitado de bruços no chão com as mãos algemadas atrás das costas. Três policiais em uniforme preto estão em pé ao fundo em ambiente interno com piso de carpete.
Fotografia divulgada por Donald Trump mostra atirador detido em hotel por agentes do Serviço Secreto no sábado (25), após disparos em jantar com o presidente em Washington – @realDonaldTrump/via TruthSocial

O manifesto faz ainda críticas à conduta de Trump, que já foi condenado por abuso sexual e é alvo de críticas por supostas ligações com o financista Jeffrey Epstein, preso por liderar uma rede de aliciamento de menores e morto em 2019.

“Eu sou um cidadão dos Estados Unidos da América. O que meus representantes fazem reflete em mim. E não estou mais disposto a permitir que um pedófilo, estuprador e traidor cubra minhas mãos com seus crimes”, diz o texto.

Ainda segundo o documento divulgado, funcionários da administração eram os alvos do atirador, do mais alto ao mais baixo escalão. Agentes do Serviço Secreto seriam atacados apenas se necessário, enquanto convidados do evento e funcionários do hotel não eram visados.

O ataque na noite deste sábado começou quando o suspeito, correndo, abriu fogo com uma espingarda contra um agente do Serviço Secreto em um posto de controle no hotel Washington Hilton. Ele foi imobilizado e preso. Segundo autoridades, o agente ferido já recebeu alta.

No texto atribuído ao suspeito, é mencionada a opção por uma espingarda de caça para reduzir o risco de danos colaterais, devido à menor capacidade de perfuração através de paredes.

De acordo com o governo americano, o suspeito portava também uma pistola e várias facas, e foi levado a um hospital para avaliação. Informações iniciais apontam que ele estava hospedado no hotel Washington Hilton desde a véspera.

O procurador-geral interino dos EUA, Todd Blanche, afirmou que o suspeito não estava cooperando com os investigadores até a manhã de domingo.

Blanche disse que as autoridades policiais acreditam que o atirador, que tentou invadir a sala onde ocorria o jantar dos correspondentes da Casa Branca, tinha como alvo tanto Trump quanto funcionários do governo americano.

“Parece que ele, de fato, tinha a intenção de atacar pessoas que trabalham no governo, provavelmente incluindo o presidente”, disse Blanche ao programa “Meet the Press” da NBC News, acrescentando que o suspeito provavelmente viajou de trem de Los Angeles para Chicago e depois para Washington.

Logo após o incidente, Trump já havia dito que acreditava ser o alvo do atirador. “Eu acho que era [o alvo]. Essas pessoas são loucas. Tinha muitas pessoas no salão, ele teria que percorrer um longo caminho”, disse.

A porta-voz da Casa Branca, Karoline Leavitt, afirmou que o homem preso após disparar tiros no jantar dos correspondentes da Casa Branca é uma pessoa “insana e depravada”. Segundo ela, o atirador tentou “assassinar o presidente e matar o maior número possível de altos funcionários do governo Trump”.

Trump sobreviveu a outras duas tentativas de assassinato desde 2024. Em um dos casos, em julho de 2024, em Butler, no estado da Pensilvânia, Trump foi atingido de raspão por uma bala durante um comício.

Dois meses depois, um homem armado com um rifle foi flagrado escondido em um arbusto no Trump International Golf Club, em West Palm Beach, na Flórida. Segundo as autoridades, ele planejava atirar em Trump.

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