Ratinho faz acordo com bailarina para encerrar ação de R$ 2 milhões por racismo
Ratinho. Foto: Reprodução/ Print de vídeo Instagram Ratinho
por coluna outro canal, F5
O apresentador Ratinho fez um acordo para encerrar a ação na qual a bailarina Cintia Melo o acusava de racismo. Ela pedia uma indenização de R$ 2 milhões por danos morais. A Justiça homologou o acordo na semana passada.
Os valores não foram divulgados por causa de uma cláusula de confidencialidade fechada entre as partes, um procedimento normal nesse tipo de resolução. O acordo também proíbe manifestações públicas. A ação tramita sob segredo de Justiça.
Procurado pela coluna, Ratinho diz por meio de sua assessoria de imprensa que não comenta ações judiciais. A coluna mandou mensagens para Melo pelo WhatsApp e pelo Instagram desde a manhã de quarta-feira (29), mas ela não respondeu aos contatos.
Em abril de 2024, durante o Programa do Ratinho, no SBT, o apresentador disse para a bailarina: “Essa peruca sua é a mais bonita”. Melo respondeu que o cabelo era natural, mas ele insistiu: “Não é seu cabelo. Não é seu cabelo”.
Na sequência, Ratinho afirmou ter visto “um piolhinho” e pediu para sua assistente de palco puxar o cabelo de Melo. “É dela”, respondeu a moça. No processo, Cintia disse que ficou sem reação diante da situação e que só depois conseguiu dimensionar o ocorrido.
Segundo relatou, ela procurou o apresentador para dizer que havia se sentido ofendida, mas não recebeu um pedido de desculpas. Ainda conforme a versão apresentada à Justiça, ele teria tratado a queixa como “mimimi”.
Os advogados da bailarina, Cristiane Linhares e Ed Matos da Silva, sustentaram que os comentários ultrapassaram o limite de uma brincadeira. “Não há dúvida de que se trata de insulto que fere gravemente a honra dos negros, pois constitui desprezo e ataque injustificável à personalidade e à identidade dos indivíduos, que resulta em sofrimento, constrangimento e profundo abalo moral”, afirmaram na ação.
A bailarina disse ter pedido demissão do SBT após o episódio, que definiu como “racismo recreativo”. Ela trabalhava fazia cerca de nove anos com Ratinho e atuava em outras produções da emissora.
“A triste realidade é de que há inúmeras práticas racistas naturalizadas em nosso cotidiano, materializadas em microagressões, que partem de comportamentos que, de tão enraizados, são, por vezes, inconscientes”, afirmou a bailarina à Justiça.
Ratinho se defendeu na ação argumentando que apenas fez uma brincadeira com a bailarina, “com quem possuía um grande laço de amizade”. Ele declarou à Justiça que Melo “costumeiramente usava perucas no programa” e que esse foi o motivo da sua pergunta, tendo, diante da negativa, “elogiado a beleza do seu cabelo”.
“A brincadeira não foi e não pode ser considerada ataque racista ou ‘racismo recreativo’, simplesmente porque não possuía qualquer ligação com o fato de a autora do processo ser uma mulher preta”, disse à Justiça.
Ratinho afirmou que a própria bailarina lhe enviou mensagens de áudio, logo após o episódio, afirmando que a brincadeira não teve cunho racista e que não foi realizada em função da sua cor e das suas características físicas.
“Ela deixou claro em suas mensagens que sabia que não houve qualquer ilicitude praticada por Ratinho, mas que estava sendo pressionada por grupos raciais a ingressar com a ação”, afirmou no processo a defesa do apresentador.
Além da indenização, a bailarina pedia que Ratinho fosse obrigado a ler um pedido de desculpas em 20 programas diferentes e publicar a sentença em jornais de grande circulação durante 30 dias. Com o acordo, o processo foi extinto.