Defesa de Vorcaro entrega anexos de delação à PGR e à PF

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PF prende Daniel Vorcaro, dono do Banco Master — Foto: Reprodução

por Folha de S.Paulo

A defesa de Daniel Vorcaro entregou a proposta de delação premiada do dono do Banco Master à PGR (Procuradoria-Geral da República) e a PF (Polícia Federal). Essa etapa precede a discussão sobre os benefícios da colaboração e a devolução de recursos.

Cada um dos anexos da delação deve tratar de um episódio diferente de irregularidades cometidas pelo ex-banqueiro e por outras pessoas, com detalhes da situação, nomes dos envolvidos e a apresentação por meios de provas.

Vorcaro apresenta, no material, os crimes que teria cometido, as condutas ilícitas que envolvem terceiros e elenca provas que poderá apresentar caso o acordo de colaboração seja aceito pelas autoridades. A partir desses elementos, foram montados os anexos.

A informação sobre a conclusão dos anexos foi divulgada inicialmente pelo jornal O Globo e confirmada pela Folha. A reportagem apurou com pessoas que acompanham o caso que o material foi entregue por volta das 12h de quarta (6).

Depois da apresentação desses anexos, que tramitará sob sigilo, a defesa e os investigadores passarão a discutir condições como redução e regime de pena à qual ele deve ser submetido. Até o momento, o entendimento de autoridades é de que ele não deve receber perdão judicial.

Também se discutirá os valores que terão que ser pagos por Vorcaro ao Estado, como multa ou ressarcimento.

Investigadores esperam que Vorcaro forneça detalhes do esquema. Pessoas próximas sugeriram que ele não estaria disposto a envolver magistrados do STF (Supremo Tribunal Federal), o que desagradou os investigadores. Posteriormente, seus advogados afirmaram que ele não pouparia ninguém, o que destravou a fase inicial da negociação.

Atualmente, os ministros Alexandre de Moraes e Dias Toffoli estão no centro de suspeitas envolvendo autoridades, devido às menções e conversas identificadas no celular do ex-banqueiro. Ambos negam qualquer irregularidade.

A defesa do ex-banqueiro tem ido diariamente à Superintendência da PF em Brasília, onde os relatos de Vorcaro são colhidos.

Vorcaro foi transferido em 19 de março para a Superintendência da Polícia Federal do Distrito Federal, com o objetivo de discutir os termos de sua delação premiada.

A decisão foi tomada pelo ministro André Mendonça, do STF (Supremo Tribunal Federal), que relata o inquérito sobre irregularidades relacionadas ao Master.

Vorcaro foi preso pela primeira vez em 17 de novembro, quando tentava embarcar para o exterior, no aeroporto de Guarulhos. A PF aponta que ele tentava fugir do país, mas ele argumenta que viajaria para encontrar investidores interessados em comprar o Banco Master.

O banqueiro chegou a ficar 13 dias sem tomar banho de sol e passou três dias trancado em uma cela sem ouvir voz humana. Para que a delação de Vorcaro seja aceita, ele terá de apresentar provas inéditas e indicar a possibilidade de recuperação de valores obtidos de forma fraudulenta.

Ele foi solto dez dias depois e voltou a ser preso em 4 de março, em fase da operação policial Compliance Zero que também atingiu servidores do Banco Central.

Fabiano Zettel, cunhado de Vorcaro e também preso durante investigações contra as fraudes do Banco Master, trocou sua equipe de defesa e mira conseguir fechar um acordo de delação premiada.

A crise envolvendo o Banco Master gerou um impacto bilionário no BRB (Banco de Brasília). Segundo investigações, a instituição do Distrito Federal comprou R$ 12,2 bilhões em créditos falsificados do banco de Vorcaro, mas disse ter recuperado parcialmente esse valor.

De acordo com o Banco Central, o montante necessário para a instituição cobrir as perdas decorrentes dos negócios poderia chegar a R$ 5 bilhões, em razão da baixa qualidade dos ativos. Segundo os últimos dados disponíveis, referentes ao terceiro trimestre de 2025, o banco tinha um patrimônio líquido de R$ 4,9 bilhões.

Em entrevista à Folha em abril, o CEO do BRB (Banco de Brasília), Nelson Antônio de Souza, disse calcular um encolhimento de, no mínimo, um terço do tamanho da instituição após a crise de capital e de liquidez gerada pelo envolvimento do banco estatal no escândalo do Master.

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