Frei Gilson é denunciado por falas sobre gays e mulheres. Entenda
Frei Gilson
por Metrópoles
Um ex-noviço protocolou denúncia no Ministério Público de São Paulo (MPSP) contra o frei Gilson da Silva Pupo Azevedo por declarações “discriminatórias contra pessoas LGBT+ e mulheres”.
Conforme relatos do jornalista e escritor Brendo Silva, que fez a denúncia, o religioso teria utilizado, em homilias, entrevistas e redes sociais, falas que tratam a homossexualidade com terminologias consideradas ultrapassadas, como “homossexualismo”, além de associá-la a ideias de “desordem”, “contrariedade à lei natural” e “depravação grave”.
“Liberdade religiosa não é liberdade para odiar. As homilias e entrevistas em que frei Gilson trata gays como doentes, ao utilizar termos ultrapassados, e associa a homossexualidade a ideias de desvio ou inferioridade, além de reforçar visões que colocam a mulher em posição secundária, não podem ser naturalizadas. Estamos em um país com altas taxas de feminicídio e violência contra pessoas LGBT+. Isso é inaceitável”, afirmou o ex-noviço na denúncia.
A manifestação traz trechos de vídeos em que o religioso adota tom enfático ao tratar do tema. “Se a tua igreja está falando que não pode homem com homem, não pode e acabou”, diz frei Gilson em uma das falas.
Silva também afirma que, em sua vivência no ambiente religioso, no qual atuou por mais de 10 anos como coroinha e noviço, conviveu com “dezenas de seminaristas, padres e bispos gays”, e apontou uma “contradição” nos discursos.
“É preciso coerência e responsabilidade”, acrescentou Brendo, que já escreveu livros sobre o tema dos padres homossexuais.
O Metrópoles entrou em contato com a defesa do frei Gilson, mas não obteve retorno até a publicação desta reportagem. Ele também não havia se pronunciado nas redes sociais a respeito da denúncia. O espaço segue aberto para manifestações.
Quem é frei Gilson
Com quase 13 milhões de seguidores no Instagram e mais de 9 milhões no YouTube, frei Gilson ficou conhecido pelas transmissões ao vivo em que canta, prega e faz orações.
Natural da cidade de São Paulo, ele começou a tocar violão aos 14 anos e, aos 18, entrou para a vida religiosa. Em dezembro de 2013, foi ordenado sacerdote, e assumiu a função de pároco da Paróquia Nossa Senhora do Carmo, em Santo Amaro, na zona sul da capital paulista, no ano seguinte.
Membro dos Carmelitas Mensageiros do Espírito Santo, ele também lidera o ministério musical “Som do Monte”. No Spotify, conta com mais de 1,8 milhão de ouvintes mensais.