Relator da PEC 6×1 diz que categorias específicas serão tratadas em projeto separado

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Dep. Leo Prates — Foto: Zeca Ribeiro / Câmara dos Deputados

por Folha de S.Paulo

O relator da PEC (Proposta de Emenda à Constituição) que acaba com a escala 6×1, deputado Leo Prates (Republicanos-BA), afirmou na quinta-feira (7) que as regras para categorias específicas serão discutidas separadamente num projeto de lei. Ainda não foi definido, porém, se a discussão ocorreria no PL apresentado pelo governo Lula com urgência constitucional.

Prates participou de uma audiência pública na Paraíba acompanhado do presidente da comissão especial, o deputado Alencar Santana (PT-SP), do presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), do ministro Luiz Marinho (Trabalho) e da deputada Daiana Santos (PCdoB-RS).

“Tenho o maior consultor do trabalho, o ministro Marinho, para encontrarmos as peculiaridades. O presidente Alencar, por exemplo, me alertou que a jornada 12×36 é importante para manter os equipamentos de saúde. A ideia é do Marinho, e vamos tratar na PEC a regra geral, e os específicos trataremos num projeto de lei. Assim a gente encontra o formato jurídico melhor para o nosso país”, disse o relator.

Questionado pela Folha se a escolha seria discutir essas categorias no âmbito do projeto enviado pelo Planalto, Prates afirmou que ainda vai conversar com Motta para definir a estratégia. Eles têm uma reunião prevista para a próxima semana para discutir o assunto.

Após a audiência pública, Motta não entrou no assunto. O presidente da Câmara reforçou apenas que sente “um ambiente muito favorável para a aprovação da PEC” e que há chances para construção de “uma ampla convergência” e, “quem sabe, uma unanimidade” sobre a proposta.

O presidente da Câmara ainda disse que a ideia é aprovar o texto em maio para que o Senado vote antes do recesso, para que “a gente possa ir para a eleição com essa questão resolvida”, no sentido de impedir a contaminação pelo debate eleitoral.

O fim da escala 6×1 é uma das principais bandeiras eleitorais do governo Lula. O Planalto aposta que a aprovação da medida pode catapultar o petista para a reeleição. Segundo o Datafolha, 71% dos brasileiros aprovam o fim desse regime de trabalho.

O que muda PEC Erika Hilton PEC Reginaldo Lopes Projeto do governo
Jornada e escala 36 horas semanais, oito horas por dia, quatro dias de trabalho 36 horas semanais, com limite de oito horas diárias 40 horas semanais, sendo oito horas por dia e com escala 5×2 —cinco dias de trabalho e dois de descanso; o descanso remunerado deve ser aos sábados e domingos de preferência
Salário Sem redução Sem redução Sem redução
12×36 Não trata Não trata Fica mantida essa escala, limitada a 40 horas semanais, com dois dias de descanso na semana, por meio de negociação coletiva
Compensação da jornada Negociação coletiva pode tratar da compensação Negociação coletiva pode tratar da compensação Negociação coletiva pode tratar da compensação; diz ainda que os dois dias de descanso são remunerados; com isso, devem ter folga ou pagamento de hora extra em dobro
Negociação coletiva Pode prever compensação de horários e determinar como será a redução da jornada Pode prever compensação de horários e determinar como será a redução da jornada Negociações que preveem regras diferentes para jornada, folgas e compensações seguem valendo e devem respeitar a particularidade de cada categoria
Categorias Não aborda especificamente, mas vale para todos os trabalhadores Não aborda especificamente, mas vale para todos os trabalhadores Vale para todos os trabalhadores, incluindo comércio, domésticos, profissionais da área da saúde, aeronautas, atletas profissionais, radialistas e outros
Validade 360 dias após a publicação Dez anos após a publicação Na data da publicação
Tramitação Votação em dois turnos, com aprovação de 308 deputados e 49 senadores Votação em dois turnos, com aprovação de 308 deputados e 49 senadores Votação em um turno em cada casa, com aprovação por maioria simples (50% mais um voto)
Justificativas Diminuirá burnout e criará empregos Aumentará o consumo e movimentará a economia Moderniza a legislação trabalhista e garante descanso ampliado no mercado de trabalho

O governo Lula tem pressa, e por isso enviou um projeto de lei com urgência constitucional para acabar com a escala 6×1. Esse tipo de projeto pode ser analisado diretamente no plenário, sem necessidade de ser aprovado em comissões, e passa a trancar a pauta da Câmara se não for votado em até 45 dias.

Motta decidiu que o tema seria discutido por meio da PEC, que tem uma tramitação mais lenta. A proposta passou pela CCJ e passará o mês de maio sendo debatida na comissão especial. Nessas discussões, Prates tentará construir um texto que preserve as premissas originais, mas que também possa ser aprovado.

O presidente da Câmara tem defendido a PEC e até o momento sequer indicou um relator. O presidente da comissão especial que discute o fim da 6×1, porém, também defendeu a tramitação conjunta. “A ideia é votar a PEC, [depois] votar o projeto. O projeto de lei, em algum momento, tem que ser aprovado”, disse o petista em entrevista à Folha, no fim de abril.

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