Flávio Bolsonaro divulga nota sem citar Ciro Nogueira e diz que notícias sobre operação são graves
O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) - Daniel Ramalho - 15.abr.26/AFP
por Folha de S.Paulo
O senador e pré-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL-RJ) afirmou na quinta-feira (7) que as informações sobre a operação da Polícia Federal que teve entre os alvos o presidente do PP, senador Ciro Nogueira (PI), são graves e disse esperar uma “ampla apuração” do caso.
Em nota, Flávio não citou diretamente Ciro, mas disse acompanhar com atenção as notícias divulgadas pela imprensa. Segundo a PF, o dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, pagava R$ 500 mil por mês ao presidente do PP, que foi ministro da Casa Civil no governo Jair Bolsonaro (PL).
O pré-candidato também disse confiar na relatoria do ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) André Mendonça, indicado por Bolsonaro à corte, no caso Master e declarou esperar “uma ampla apuração”.
“Entendemos que fatos dessa natureza devem ser apurados com rigor e transparência pelas autoridades competentes, sempre com respeito ao devido processo legal”, escreveu.
Como mostrou a Folha, integrantes do governo do presidente Lula (PT) vão tentar associar Flávio, principal adversário do petista na eleição deste ano, ao escândalo do Banco Master após a operação mirando Ciro —próximo do clã Bolsonaro.
A expectativa de aliados de Lula é que, ao menos por enquanto, o presidente não dê declarações fortes sobre a operação espontaneamente. A tarefa de desgastar o bolsonarismo a partir das acusações contra Ciro ficaria com ministros, congressistas e outros aliados políticos.
Ciro é presidente do PP, um dos principais partidos do centrão e que hoje compõe uma federação com o União Brasil. Desde que se lançou ao Planalto, Flávio tem tentando angariar o apoio público do grupo, que também conta com siglas como Republicanos, para fazer frente à tentativa de reeleição de Lula.
Em entrevista à Folha em dezembro, Flávio disse que Ciro tinha “todas as credenciais” para ser vice numa chapa bolsonarista à Presidência e citou o fato de o senador ser nordestino, presidente de um “partido forte” e leal a Jair Bolsonaro.
“Eu ouço falar que o Ciro Nogueira publicamente já manifestou essa vontade. Mas isso é uma decisão que se toma muito mais na frente, depende da composição partidária, do perfil. Sem dúvida alguma é o nome que hoje está colocado”, disse, na ocasião.
O QUE DIZ A POLÍCIA FEDERAL
Entre as principais suspeitas da PF estão a de que o Ciro Nogueira recebia quantias repassadas por Felipe Vorcaro, primo do dono do Master.
Felipe teria feito uma parceira “ligada aos pagamentos mensais em favor do senador, correspondentes, inicialmente, ao valor de R$ 300 mil, com indícios de que teriam sido posteriormente aumentados para a importância de R$ 500 mil”. O primo de Vorcaro foi preso temporariamente.
O advogado de Ciro Nogueira, Antônio Carlos de Almeida Castro, o Kakay, disse em nota que a defesa “repudia qualquer ilação de ilicitude sobre suas condutas, especialmente em sua atuação parlamentar”.
Ele diz que o senador está comprometido em contribuir com a Justiça “a fim de esclarecer que não teve qualquer participação em atividades ilícitas e nos fatos investigados, colocando-se à disposição para esclarecimentos”.
A reportagem não localizou a defesa de Felipe Vorcaro.
Segundo a decisão de Mendonça, as suspeitas da PF contra Ciro envolvem, por exemplo, a apresentação de uma emenda que ampliaria a cobertura do FGC (Fundo Garantidor de Crédito) de R$ 250 mil para R$ 1 milhão por depositante.
Essa proposta foi apelidada no mercado, à época, de “emenda Master”. A intenção era dar uma saída ao dono do banco, que àquela altura já não conseguia sustentar a arquitetura financeira que havia montado, apontada nas investigações como fraudulenta.
A PF afirma ainda que, em 2023, Vorcaro ordenou a retirada de envelopes da residência do senador que continham minutas de projetos de lei de interesse particular, que foram levados posteriormente para um escritório indicado pelo banqueiro.
Em seguida, foram processados por pessoas ligadas a Vorcaro e devolvidos a um servidor do parlamentar por um funcionário de Vorcaro.
As suspeitas relacionadas à relação de Vorcaro com Ciro também envolvem o pagamento de despesas pessoais. Os investigadores apontam que o senador tinha um “imóvel de elevado padrão” à sua disposição, além do custeio de hospedagens, jatinhos para viagens internacionais, restaurantes e outros gastos pessoais.