Dino abre apuração sobre emendas destinadas a produtora de filme sobre Bolsonaro

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Ministro Flávio Dino na sessão de abertura do ano judiciário no STF - Adriano Machado - 02.fev.26/Reuters

por Folha de S.Paulo

O ministro Flávio Dino, do STF (Supremo Tribunal Federal), abriu uma apuração preliminar sigilosa sobre emendas destinadas à produtora do filme “Dark Horse” (“Azarão”), que trata da vida do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).

O longa-metragem está no centro do desgaste da pré-candidatura do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) à Presidência da República, depois de áudios em que ele pede dinheiro ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro, do Master, para finalizar a obra.

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Deputados da base do governo já haviam entrado em março com uma representação no STF para que Dino investigasse suspeitas de desvios em emendas parlamentares destinadas a ONGs e projetos culturais.

Depois de o caso Flávio vir à tona, a deputada Tabata Amaral (PSB-SP) complementou o pedido, noticiando condutas do deputado Mário Frias (PL-SP) que, segundo ela, se encaixariam na mesma suspeita de irregularidade.

Frias é citado como possível intermediário nos trâmites com Vorcaro. Ele nega que os repasses tenham relação com o filme e diz que a verba era para “projetos sociais devidamente estruturados e supervisionados por órgãos federais”.

Os aportes sob investigação são de autoria de Frias e de outros dois parlamentares do PL: a deputada Bia Kicis (PL-DF) e o deputado Marcos Pollon (PL-MS). Todos já foram intimados por Dino para se manifestar formalmente.

Conforme mostrou a Folha, a dona da Go Up controla outras três empresas, todas no mesmo endereço, que receberam verbas por emendas de deputados do PL e uma delas também assinou contrato de mais de R$ 100 milhões com a Prefeitura de SP para fornecimento de wi-fi.

Flávio tem dado declarações públicas para enfatizar haver “zero dinheiro público” no financiamento do filme sobre a vida e a trajetória política do seu pai.

Tabata e o deputado Pastor Henrique Vieira (PSOL-RJ) afirmam que houve desvio de finalidade e descumprimento da decisão do STF que prevê critérios rígidos de transparência e rastreabilidade na execução das emendas.

Segundo a assessoria de Pollon, a emenda do parlamentar, de R$ 1 milhão, foi redirecionada para uma instituição oncológica e “não houve destinação de recursos para qualquer finalidade diferente daquela apresentada formalmente nos projetos”.

Kicis afirma que a emenda passada por ela, de R$ 150 mil, também não tem relação com o filme, mas com projeto de natureza cultural e educativa, voltado à valorização da história nacional e ao fortalecimento da economia criativa.

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