Mulher descobre que é ‘presidente da República’ há 24 anos em registro trabalhista

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A técnica de enfermagem Aldenize Ferreira da Silva apresenta registro como presidente da República em 2002 - Arquivo pessoal

por Folha de S.Paulo

A técnica de enfermagem Aldenize Ferreira da Silva, 46, afirmou ter descoberto na última semana que aparece, há 24 anos e 2 meses, como ocupante do cargo de “presidente da República” em registros trabalhistas vinculados ao município de Jaboatão dos Guararapes (PE).

Os dados constam em sistemas ligados à RAIS (Relação Anual de Informações Sociais), ao Caged (Cadastro Geral de Empregados e Desempregados) e à Carteira de Trabalho Digital. O vínculo aparece associado ao CNPJ da prefeitura de Jaboatão e permanece com status “aberto” desde 14 de março de 2002, conforme imagens enviadas por ela à Folha.

Em nota, a Prefeitura de Jaboatão dos Guararapes informou que a Secretaria de Administração identificou que o problema decorre da migração de dados do antigo sistema SEFIP (Sistema Empresa de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social) para o ambiente digital do eSocial.

Segundo a gestão municipal, durante a transição houve o registro incorreto de servidores ocupantes de cargos comissionados genéricos como “presidente da República” em algumas bases de dados.

Conforme a administração, não é possível informar quantas pessoas podem ter sido afetadas porque o sistema não está sob gestão direta da prefeitura.

O Ministério do Trabalho e Emprego foi questionado por e-mail na tarde da terça-feira (19), mas não respondeu até a publicação deste texto.

Os documentos apontam remuneração inicial de R$ 201,60 e última remuneração registrada de R$ 15,42, em dezembro de 2002. O cargo informado é “1112-05 — presidente da República”. Em uma das telas apresentadas por Aldenize, o sistema informa experiência profissional de “24A 2M”.

Ela disse ter descoberto o registro ao procurar uma vaga de emprego na Agência do Trabalhador de Jaboatão.

“Quando o atendente colocou meu CPF no sistema, perguntou como eu estava procurando emprego se já tinha um vínculo havia 24 anos. Foi ali que eu soube do registro”, afirmou.

Segundo Aldenize, o funcionário permitiu que ela fotografasse a tela do computador e recomendou que buscasse orientação jurídica e procurasse a imprensa.

“Ele me disse que eu poderia estar sendo prejudicada havia muito tempo e que isso poderia afetar até minha aposentadoria”, relatou.

A técnica de enfermagem afirmou que trabalhou em 2002 em uma escola da rede municipal, em um contrato temporário como merendeira por cerca de dois anos. Segundo ela, o vínculo nunca foi registrado na carteira física de trabalho.

“Na época, procurei a prefeitura para saber se precisava fazer algum procedimento de baixa, e fui informada de que isso seria resolvido pelo próprio município”, disse.

Ela afirmou não acreditar que o caso tenha sido causado apenas por erro de digitação e disse suspeitar de uso indevido de seus dados ao longo dos anos.

“Passei esse tempo inteiro desempregada em vários períodos, procurando trabalho, e agora descubro um vínculo ativo de mais de duas décadas no meu nome”, afirmou.

Registros da carteira de trabalho de técnica de enfermagem mostram vínculo como presidente da república, com última remuneração ainda em 2022

A prefeitura informou ainda que os ex-servidores afetados devem procurar a Unidade de Gestão de Pessoas (UGEP), de 8h a 17h, de segunda a sexta-feira, para solicitar esclarecimentos e correções cadastrais.

A gestão também afirmou que a inconsistência não possui relação específica com a área da educação ou qualquer outra secretaria municipal e disse que casos semelhantes foram identificados em outras instituições públicas.

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