Antes de prisão, Deolane tentou censurar reportagem do SBT sobre ligação com o PCC
Deolane Bezerra, 38, na saída do Palácio da Polícia, na região central de São Paulo - Danilo Verpa - 21.mai.26/Folhapress
Dez dias antes de ser presa, a influenciadora Deolane Bezerra teve um pedido de retirada de uma reportagem do SBT sobre sua suposta ligação com o PCC negado. A decisão foi definitiva e o processo já foi arquivado pela Justiça de São Paulo.
Procurada desde sexta-feira (22) por email e WhatsApp, a defesa de Deolane não respondeu aos contatos. O SBT disse que não iria comentar o assunto.
Deolane foi presa por suspeita de lavagem de dinheiro da facção criminosa a partir de uma transportadora de fachada. A Operação Vérnix também cumpriu mandados de prisão contra Marco Willians Herbas Camacho, o Marcola, que é considerado o chefe máximo do PCC e está preso em uma penitenciária federal de segurança máxima desde 2023, além de parentes dele.
No pedido contra o SBT, Deolane alegava que sua empresa havia sido notificada pelo banco BTG Pactual, que identificou a reportagem apenas em janeiro de 2025, durante uma análise sobre o nome de Deolane para investimentos. A notícia havia sido veiculada em setembro de 2022 e estava disponibilizada em plataformas digitais da emissora.
Deolane alegava constrangimento ao receber a notificação da instituição financeira. Ela também afirmou que a notícia dizia respeito a um processo que se encontra arquivado e acusou o SBT de perpetuar condutas discriminatórias sem fundamentos jurídicos e “baseadas em fake news”.
No último dia 11, a 1ª Câmara do Direito Privado do TJ-SP (Tribunal de Justiça de São Paulo) negou a solicitação em última instância recursal. Segundo o desembargador Enéas Costa Garcia, que assina a decisão, não há elementos que comprovem a alegação de Deolane.
O magistrado avaliou que o SBT se guiou pela investigação da Polícia Civil, baseada em relatórios do Coaf (Conselho de Controle de Atividades Financeiras), e que tirar a reportagem do ar configuraria censura. “Não se identifica caráter difamatório ou conteúdo ofensivo na matéria, que possui natureza jornalística e aborda fato de conhecimento público e interesse coletivo”, disse.
Os relatórios do Coaf usados pelo SBT para a reportagem estavam entre as provas que a polícia de São Paulo apresentou para basear o pedido de prisão contra Deolane. A Justiça já havia negado o pedido anteriormente.
Segundo a investigação que a prendeu, a quebra do sigilo bancário de Deolane demonstraria que ela movimentou milhões em nome do PCC. Ela teria empestado sua estrutura financeira e “aparente respeitabilidade social” para colocar o dinheiro do crime organizado no sistema financeiro formal.
