Foto mostra reunião em que coronel teria pedido R$ 3 milhões a empresários
Redação 10 de janeiro de 2022 0
Sérgio Roberto Roballo. Foto: Arquivo cedido ao Metrópoles
As empresas prestam serviço de vistoria veicular. O encontro ocorreu em agosto do ano passado, em um bar localizado no Sudoeste. Na ocasião, o tenente-coronel teria cobrado R$ 3 milhões para não divulgar documentos que, supostamente, revelariam irregularidades cometidas no processo de credenciamento.
Segundo uma fonte ouvida pela Na Mira, um dos representantes das vítimas, que aparece de bermuda na imagem, também é policial militar. O PM, entretanto, é da reserva remunerada. O caso é investigado pela Delegacia de Repressão à Corrupção, vinculada ao Departamento de Combate à Corrupção e ao Crime Organizado (Decor).
Sérgio Roballo foi alvo de busca e apreensão no âmbito da operação Blackmail, deflagrada na quarta-feira (5/1). Conforme a coluna divulgou em primeira mão, os investigadores coletaram evidências as quais apontam que as vítimas foram coagidas.
O tenente-coronel teria atuado como porta-voz de um grupo formado pelas pessoas prejudicadas com a terceirização das vistorias. O valor exigido seria dividido entre os envolvidos e serviria para amenizar os prejuízos suportados pela alteração na prestação dos serviços.
Recentemente, o serviço de vistorias veiculares no Distrito Federal foi terceirizado, e passou a ser exercido por empresas credenciadas pelo Detran. Esse fato desagradou uma parcela dos atores anteriormente envolvidos.
O nome escolhido para a operação, o termo em inglês Blackmail, faz alusão a chantagem ou extorsão. O celular do tenente-coronel foi apreendido na operação e a reportagem não conseguiu localizar a defesa dele. O espaço permanece aberto para manifestações.
Veja imagens da operação:


Outro escândalo
Não é a primeira vez que o nome do policial é alvo de investigações. Em 2019, o Metrópoles revelou que o tenente-coronel respondeu a um procedimento na Corregedoria por suspeita de utilizar as dependências do 1º Batalhão de Trânsito da PMDF como escritório particular.
Segundo o processo que tramitou na Auditoria Militar, Sérgio Roberto Roballo teria escalado PMs do Serviço Voluntário Gratificado (SVG) para, de forma terceirizada, fazer escolta motorizada em eventos ocorridos na cidade.
A PM também apurou se o oficial obteve vantagens indevidas em troca dos trabalhos. De acordo com os autos, ele teria comprado um imóvel de R$ 1 milhão, aquisição incompatível com o seu salário, que é de R$ 17.142.
Outro crime militar atribuído ao tenente-coronel é o uso indiscriminado de viaturas. Conforme consta no processo, ele teria utilizado um carro e uma moto da PMDF para fins particulares.
Os veículos não têm plotagem e integram a frota do Centro de Manutenção da instituição. O policial teria, inclusive, adulterado as placas identificadoras dos automóveis, segundo os autos.