Guerra na Ucrânia: Bolsas da Europa fecham em queda, e as da Ásia, majoritariamente em alta

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© Reuters. Pedestre caminha em frente à Bolsa de Valores de Milão

Por Sergio Caldas

As principais Bolsas europeias fecharam em queda nesta quinta-feira, 3, com o mercado acompanhando as possíveis negociações entre Rússia e Ucrânia e o segundo dia de testemunho do presidente do Federal Reserve (Fed, o banco central dos EUA), Jerome Powell, no Congresso dos EUA. Além disso, esteve no foco dos investidores a ata do Banco Central Europeu (BCE) e a divulgação de indicadores macroeconômicos da região e balanços de empresas.

As Bolsas aceleraram as quedas nos últimos minutos do pregão, acompanhando a piora de Nova York, em meio a comentários do presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, de que, se a Ucrânia “sumir”, outros países do Leste Europeu serão os próximos. Já Powell voltou a enfatizar a incerteza sobre os efeitos da guerra para os EUA. Apesar das possibilidades abertas de negociação entre Rússia e Ucrânia, o ministro das Relações Exteriores da Rússia, Sergei Lavrov, disse que Moscou vai continuar com sua operação militar na Ucrânia até “o fim”.

Mais cedo, houve divulgação da ata do BCE. O documento informa que os membros do BCE discutiram a necessidade de já começar a retirar estímulos. De acordo com o ING, a ata “mostra uma crescente disposição de começar a normalizar a política monetária na reunião de março”. Para a Capital Economics, com a crise geopolítica, na reunião de política monetária da próxima semana, o BCE vai enfatizar que agirá com cuidado ao sair de sua política acomodatícia e poderá até aumentar o apoio, se necessário.

Investidores também acompanharam indicadores macroeconômicos na Europa. O índice de gerentes de compras (PMI, na sigla em inglês) composto da zona do euro subiu de 52,3 em janeiro para 55,5 em fevereiro. O mesmo aconteceu na Alemanha e no Reino Unido. Pesquisas da Eurostat, por sua vez, mostraram que o índice de preços ao produtor (PPI) da zona do euro deu um salto anual de 30,6% em janeiro, superando as expectativas.

De acordo com o Rabobank, a guerra entre a Rússia e a Ucrânia amplificou um choque de “oferta” que já estava em andamento. “Com sua grande exposição aos principais produtos importados russos/ucranianos, a Europa é mais vulnerável do que as outras grandes economias do mundo. A previsão de uma recessão é sempre repleta de riscos, mas sentimos que acabamos de chegar muito mais perto desse cenário”, destacou.

O índice pan-europeu Stoxx 600 recuou 2,01%, a 437,36 pontos. A Bolsa de Paris caiu 1,84%, a 6.378,37 pontos. Em Londres, a queda foi de 2,57%, a 7.238,85 pontos. A Alemanha perdeu 2,16%, a 13.698,40 pontos. Na Itália, o tombo foi de 2,35%, a 23.958,83 pontos, com ações da Telecom Itália com queda de 13,99%, após divulgação de balanço. Nas praças ibéricas, o PSI 20 teve queda de 0,88%, a 5.468,22 pontos, e o IBEX 35, de 3,72%, a 8.011,40 pontos, com Telefonica (-3,21%) e Iberdrola (-5,81%) entre destaques negativos.

Ásia

As Bolsas da Ásia fecharam majoritariamente em alta, seguindo o desempenho positivo de Nova York, após o presidente do Federal Reserve defender na quarta-feira, 2, um aumento de juros mais moderado. Na China, por outro lado, os mercados ficaram no vermelho após dados fracos de atividade do setor de serviços.

O índice japonês Nikkei subiu 0,70% em Tóquio, a 26.577,27 pontos, enquanto o Hang Seng avançou 0,55% em Hong Kong, a 22.467,34 pontos, o sul-coreano Kospi teve ganho de 1,61% em Seul, a 2.747,08 pontos, e o Taiex registrou alta de 0,37% em Taiwan, a 17.934,40 pontos.

O presidente do Fed, Jerome Powell, afirmou que vai propor elevação de juros de 25 pontos-base na reunião de política monetária do BC americano, em meados de março, fator que ajudou a impulsionar as Bolsas de Nova York na quarta. Muitos investidores temiam um aumento mais agressivo da taxa básica dos EUA, de 50 pontos-base.

Já na China continental, o Xangai Composto recuou 0,09% nesta quinta, a 3.481,11 pontos, e o menos abrangente Shenzhen Composto caiu 0,83%, a 2.294,08 pontos, após pesquisa da IHS Markit e da Caixin Media mostrar queda do PMI de serviços chinês em fevereiro a 50,2, o menor nível em seis meses.

Na Oceania, a Bolsa australiana acompanhou o tom positivo da Ásia e de Nova York, e o S&P/ASX 200 avançou 0,49% em Sydney, a 7.154,40 pontos.

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