‘Amor tem que ser vivido’, dizem noivos que se conheceram em quadrilha junina e celebraram união no São João de Campina Grande
Italo e Edielson no casamento coletivo do São João de Campina Grande — Foto: Iara Alves / g1
Quando se conheceram há 12 anos na quadrilha junina em que dançavam, Italo Pereira e Edielson da Silva não imaginavam que subiriam ao altar e, um para o outro, diriam “sim”. Com o amor, muitas vezes acontece assim, os sonhos nascem sem aviso. E neste domingo (12), Dia dos Namorados, os dois selaram a união no casamento coletivo do São João de Campina Grande, em uma cerimônia onde todas as formas de amor são consideradas justas, honestamente respeitadas e carinhosamente abraçadas.
“Tivemos muitas dificuldades durante esse caminho, muito preconceito e falta de aceitação. Mas isso com o temo foi superado. É muito significativo casar aqui pelo fato de que a pirâmide é o palco onde a gente já viveu tantas emoções juninas. E agora a gente tá podendo mostrar para a sociedade não tem gênero, que o amor só precisa ser vivido. Ainda são poucas as pessoas que têm essa coragem”, declarou Italo.
A coragem dele e do parceiro foi tão grande que fez uma plateia lotada vibrar. Aplausos, afinal, era o mínimo que eles mereciam.
Sem preconceitos, o cupido do amor não escolhe quem vai flechar. Raça, gênero, estilo e qualquer outra característica pessoal são totalmente ignoradas. Os apaixonados sabem disso, mas sem sempre têm suas escolhas respeitadas.
“Mas quem somos nós para julgar a forma com o que o outro vai amar?”, questionou a juíza Ivna Mozart, que celebrou em verso a cerimônia.
Quem poderia imaginar que uma palavra pequena, como um sim, poderia ser tão valiosa ao ponto de carimbar destinos e unir futuros? Ao todo, 98 casais entenderam a dimensão dela neste Dia dos Namorados.

Todos eles agarraram sem amarras e pudores a chance, que muitas vezes pode ser única na vida, que é amar.
A primeira edição com uma união LGBTQIA+ aconteceu em 2019. Na época, os noivos não as que inspirariam outros pombinhos, mais especificamente quatro casais dessa vez, a maior quantidade da história do evento.
Casamento coletivo é tradição na família de noiva
Rafaela e Erlian se conheceram no Parque do Povo, em um show do cantor Mano Walter, no ano de 2019.
Na véspera do casamento, o artista alagoano conheceu a história do dois e dedicou uma música a eles.
O casamento coletivo, para Rafael já é uma tradição familiar que ela faz questão de perpetuar.
“Já veio de geração para geração. Minha mãe e meu e pai se casaram aqui. É uma grande alegria fazer isso no mesmo lugar que meus pais”, revelou.

Casamento coletivo está na 32ª edição
Cada casal escolhido para a cerimônia coletiva, que está na 32ª edição, tem uma história. Algumas são conhecidas, outras íntimas. Mas os rostos contentes e satisfeitos revelam emoção pura genuína.
A preparação para o grande dia começou com meses de antecedência. Desde então foi preciso persistência. Alguns pombinhos chegaram madrugar na fila para garantir uma vaga.
No grande dia, as noivas começaram a produção ainda cedo, no início da tarde. Cabelo, maquiagem e vestido estavam todos perfeitos. Pareciam feitos para cada uma delas.
Já os noivos, estavam todos alinhados. Tanto que até o nervosismo podia ser disfarçado.
Tudo isso foi gratuito, inclusive os bolos que ganharam depois do sim, que não foi o ápice do momento. Isso ficou por conta do forró, dançado por todos.
