Foto: Aline Massuca/Metrópoles
Uma operação realizada pela Prefeitura do Rio de Janeiro, por meio da Secretaria Municipal de Ordem Pública (Seop), resultou em multas para diversas boates do bairro do Recreio e da Barra de Tijuca. A vistoria foi iniciada por volta das 21h30 dessa sexta-feira (10/9), entrou pela madrugada e seguiu até às 3h30 deste sábado (11). No total, foram quatro estabelecimentos inspecionados e dois multados por aglomeração e consumo em pé. O Metrópoles acompanhou a operação.
Autuada, a boate Coco Recreio tinha presença de menores de 18 anos no local, além de muitas bebidas alcoólicas. No entanto, os responsáveis alegaram que os jovens apresentaram documento comprovando a maioridade.

Segundo um dos responsáveis pela boate, o DJ Tralha, a casa tem seguido os protocolos sanitários para o funcionamento.
“Eu como DJ, músico, estou há dois anos parado tentando trabalhar. As contas não param. A gente tem que pagar pensão, levar alimento para casa, pagar luz, pagar água, a gasolina aumentou e, infelizmente, nós fomos os primeiros a parar e, com certeza, os últimos a voltar. Estamos tentando seguir os protocolos, a gente não consegue levar o pão de cada dia para casa, não consegue pagar as contas, estamos na luta, só Deus mesmo”, disse ele.
“A gente tenta trabalhar, mas é multa em cima de multa. Não tem como eu, DJ, tocar uma música e obrigar as pessoas a ficarem sentadas. Eu toco para as pessoas dançarem. O que eu fico triste é que isso não é para todas as casas, são locais específicos. Se fosse para todos os lugares, eu concordaria”, destacou.
O sócio e também responsável pela Coco Recreio, Álvaro Amaral, afirmou que há uma perseguição com alguns estabelecimentos. “Isso que estão fazendo é covardia. Eu já tomei uma multa com a casa fechada, em um feriado. É perseguição, não sei se é a concorrência. Estamos trabalhando tudo na normalidade. Fui multado por aglomeração, mas a casa cabe duas mil pessoas, e tinham 150. É a quarta vez que sou multado em dois meses. Eu consigo trabalhar”, afirmou.
Veja o vídeo:
Avisos rápidos
A boate All In, na Barra da Tijuca, também levou multa por aglomeração. Os estabelecimentos Vitrine e Lalu não foram autuados. No entanto, segundo testemunhas, parte do público havia sido orientado a sair das boates por portas laterais.
Ao Metrópoles, a Seop informou que a operação é rotineira e, que essas ações acontecem diariamente por meio de comboios ou pela atuação destacada da guarda. Segundo a pasta, as fiscalizações ocorrem por meio de denúncias pelo telefone 146, e afirma que há perseguição ou seletividade em relação as inspeções.

Flexibilização
O prefeito do Rio de Janeiro, Eduardo Paes, e o secretário municipal de Saúde, Daniel Soranz, anunciaram no último mês de julho o plano de flexibilização das medidas de restrição contra a Covid-19.
Denominado “Rio de novo, um ano de reencontros”, o plano foi dividido em três etapas e classificado como “conservador”.
Na primeira etapa, no início de setembro, foi liberado o público em estádios, boates, danceterias e casas de show. No entanto, 50% tem que estar vacinado com as duas doses ou a dose única. Também estão previstos eventos em ambientes abertos, sem limite de público.
Para 17/10 está prevista a segunda etapa de flexibilização, com liberação de 100% de público em estádios, boates, danceterias e casas de show.
Na terceira fase, marcada para 15/11, haverá livre circulação, sem restrição de capacidade e distanciamento, e uso de máscara obrigatório apenas em transporte público e estabelecimentos de saúde. Para que isso ocorra, 90% da população adulta precisa estar totalmente vacinada, e 93% com pelo menos a primeira dose.
O planejamento não muda as medidas em vigor na capital atualmente, definidas pelo Decreto nº 48.912, de 27 de maio.
terra