Ritalina: remédio para TDAH pode ajudar a tratar Alzheimer, diz estudo

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cérebro

© Getty Images. O levantamento é o primeiro a utilizar dados humanos para quantificar a velocidade dos processos moleculares da doença

Por Juliana Contaifer

Pesquisadores das universidades de Cambridge e London College, além do Imperial College London, todos no Reino Unido, fizeram uma revisão de 19 estudos que tratavam pacientes com Alzheimer e descobriram que medicamentos usados para tratar o transtorno de déficit de atenção e hiperatividade (TDAH) (como a ritalina, por exemplo) podem aliviar os sintomas da demência.

Dados de cerca de 2 mil pacientes entre 65 e 80 anos foram alisados. Os indivíduos tiveram melhora “pequena mas significante” na cognição, memória, fluência verbal e linguagem. Os cientistas também perceberam diminuição considerável da apatia, um sintoma comum em idosos com Alzheimer.

A principal explicação para o sucesso dos medicamentos é que eles atuam lidando com a noradrenalina, uma substância ligada a uma rede de neurônios imprescindível para processos cognitivos.

O levantamento foi publicado na revista científica Journal of Neurology, Neurosurgery & Psychiatry. O professor Mark Dallas, da Universidade de Reading, também na Inglaterra, foi um dos revisores do estudo. Segundo ele, a pesquisa é “uma provocação interessante de que drogas usadas para lidar com outras condições podem se unir à luta contra a demência”.

A chefe do instituto de pesquisa de Alzheimer do Reino Unido, Rosa Sancho, afirma que, apesar dos bons resultados, os estudos analisados variam em qualidade, e é difícil compará-los.

“Não podemos ter certeza ainda sobre quais efeitos os medicamentos podem ter no dia a dia de uma pessoa com Alzheimer, e não sabemos se os benefícios são maiores do que os riscos”, pondera. Os principais efeitos colaterais dos remédios contra o TDAH são perda de apetite e problemas para dormir, mas podem incluir ainda taquicardia e pressão alta.

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