Brasil quer o “máximo possível” de diesel da Rússia, diz Carlos França

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Carlos França. Foto: Reprodução

Por Mayara Oliveira

O ministro das Relações Exteriores, Carlos França, afirmou nesta terça-feira (12/7) que o Brasil quer comprar o “máximo possível” de diesel da Rússia. Durante agenda em Nova York, o chanceler disse que os acordos “estão sendo fechados”.

“Precisamos garantir que haverá diesel suficiente para o agronegócio brasileiro e, é claro, para os motoristas brasileiros. Então é por isso que estamos buscando fornecedores seguros e muito confiáveis de diesel – a Rússia é um deles”, declarou o ministro.

“Dependemos muito das exportações de fertilizantes da Rússia e de Belarus também. E é claro, a Rússia é um grande fornecedor de petróleo e gás. Você pode perguntar isso para a Alemanha. Pode perguntar isso para a Europa. Então o Brasil, nós estamos com pouco estoque disso”, acrescentou.

Nessa segunda-feira (11/7), o presidente Jair Bolsonaro (PL) disse que o Brasil pode receber o combustível vindo da Rússia em até 60 dias.

Se confirmada, a medida iria na contramão de vários países que têm adotado uma série de sanções contra os russos — como o embargo a importações de petróleo e derivados — em razão do conflito com a Ucrânia, que já dura mais de quatro meses.

Entenda

O diesel está com alta demanda no mercado internacional. No Brasil, o combustível atingiu o maior valor da série histórica, iniciada pela Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) em 2004.

O Brasil é considerado estruturalmente “deficitário” em óleo diesel. No ano passado, por exemplo, quase 30% da demanda total do país veio de fora.

De acordo com representantes do setor ouvidos, há risco de desabastecimento no Brasil caso não haja sinais de que o preço do mercado será mantido. A crise, inclusive, aconteceria durante o momento de maior exportação de grãos, entre junho e julho, o que poderia agravar a dimensão dos problemas que se avizinham.

Historicamente, o consumo de diesel é mais alto no segundo semestre em razão das sazonalidades das atividades agrícola e industrial. Segundo fontes do governo, o Ministério de Minas e Energia já trabalha com a expectativa de que o consumo do combustível neste ano supere a quantidade consumida em 2021.

O comitê de campanha do presidente Jair Bolsonaro considera a pauta prioritária em um cenário em que o mandatário da República trabalha para ser reeleito.

Estoque para 50 dias

Nesta terça, o ministro de Minas e Energia, Adolfo Sachsida, afirmou que o Brasil tem um estoque de diesel que duraria 50 dias, sem a necessidade de importações.

De acordo com os dados do governo, os estoques de diesel A S-10 — sem adição de biodiesel — estão em 1,6 mil metro cúbicos, o que representa 1,6 bilhão de litros.

O valor seria suficiente para garantir o abastecimento até dezembro deste ano, caso algum evento impedisse a importação do combustível.

 

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