Assassinato de petista em Foz do Iguaçu teve motivo torpe, conclui polícia
Marcelo Arruda. Foto: Reprodução/Redes Sociais
Por Mauren Luc
“Chegamos à conclusão que vamos indiciar o agente penal pelo crime de homicídio qualificado por motivo torpe e por causar perigo a outras pessoas no local, que poderiam ter sido atingidas pelos disparos”, afirmou a delegada Camila Cecconello, chefe da investigação.
Marcelo era tesoureiro do PT municipal. No partido havia mais de dez anos, ele concorreu a vereador e a vice-prefeito pela sigla em eleições recentes.
Ainda segundo a polícia, Jorge foi agredido por três convidados da festa de Marcelo, quando caiu ferido no salão. Um inquérito sobre esse ponto específico segue em andamento a polícia quer saber se as lesões em Jorge foram causadas ou agravadas por essas agressões.
A polícia afirma ainda que não haverá reconstituição do crime e que aguarda o resultado da apuração do Instituto de Criminalística para desvendar outros detalhes, como a dosagem alcoólica em ambos.
Durante as investigações, segundo a polícia, foram ouvidas 17 pessoas, entre as quais testemunhas que estavam no salão de festa, palco do assassinato, além de familiares do petista e do bolsonarista.
A conclusão do inquérito foi anunciada em entrevista do secretário estadual da Segurança Pública, Wagner Mesquita, da delegada-chefe da Divisão de Homicídios e Proteção à Pessoa, Camila Cecconello, e do promotor Tiago Lisboa.
O Paraná é governador por Ratinho Júnior (PSD), aliado do presidente Jair Bolsonaro e que buscará a reeleição em outubro.
O crime em Foz provou forte reação do mundo político. O PT, por exemplo, recorreu à PGR (Procuradoria-Geral da República) com cobranças sobre mais segurança nas eleições. Já a Polícia Federal decidiu ampliar sua mobilização para proteger os presidenciáveis durante a campanha eleitoral.
Já o presidente Bolsonaro desde o assassinato incluiu discurso dúbio sobre o crime, ataques à esquerda e, por último, uma ofensiva por sua imagem.
A ofensiva por sua imagem em ano de eleição teve seu ponto alto na terça-feira (12), quando usou um deputado federal aliado para se aproximar de uma ala da família de Marcelo mais simpática a ele.
Numa conversa por telefone com esses familiares, Bolsonaro se preocupou mais em se defender do que em se solidarizar com os parentes do petista assassinado. Ele disse que a esquerda tenta “politizar” a morte para desgastar o governo e convidou parentes para irem a Brasília.
A ligação por vídeo foi feita pelo deputado bolsonarista Otoni de Paula (MDB-RJ), que esteve na casa de um dos irmãos de Marcelo, com o aval de Bolsonaro, para intermediar a conversa. Segundo ele, o presidente falou com dois irmãos do petista assassinado: José e Luiz de Arruda.
A iniciativa, porém, irritou os familiares mais próximos de Marcelo, incluindo a viúva, Pâmela Suellen Silva. Ela afirmou ao UOL ter ficado surpresa com o telefonema do presidente aos irmãos de Marcelo (“absurdo, eu não sabia”, disse) e ressaltou que eles nem estavam na festa de aniversário onde ele foi assassinado.
O atirador Jorge, que está internado após também ser baleado por Marcelo, se define como conservador e cristão. Ele usa as redes sociais principalmente para defender Bolsonaro, se diz contra o aborto e as drogas e considera arma sinônimo de defesa.
Em junho de 2021, ele aparece sorrindo em uma foto ao lado do deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP), filho do mandatário. “Vamos fortalecer a direita”, escreveu em 30 de abril numa corrente da “#DireitaForte” para impulsionar perfis de conservadores com poucos seguidores.
Sua última postagem antes do crime é um retuíte de uma publicação do ex-presidente da Fundação Cultural Palmares Sérgio Camargo, dizendo: “Não podemos permitir que bandidos travestidos de políticos retornem ao poder no Brasil. A responsabilidade é de cada um de nós”.