Em cerimônia, comandante do Exército critica “notícias tendenciosas”
Jair Bolsonaro e general Marco Antônio Freire Gomes. Foto: Reprodução
Por Flávia Said
O comandante do Exército, general Marco Antônio Freire Gomes, criticou, na quinta-feira (25/8), o que chamou de “verdades transfiguradas, notícias infundadas e tendenciosas ou narrativas manipuladas”. O trecho consta da Ordem do Dia lida em cerimônia alusiva ao Dia do Soldado, no Quartel General do Exército, em Brasília (DF), que contou com a presença do presidente e candidato à reeleição Jair Bolsonaro (PL).
“Soldado Brasileiro! Se, em algum momento, verdades transfiguradas, notícias infundadas e tendenciosas ou narrativas manipuladas tentarem manchar nossa honra, na vã esperança de desacreditar a grandeza de nossa nobre missão, lembrem-se de que a calúnia jamais maculou a glória de Caxias. O bravo Guerreiro demonstrou que seu coração de Pacificador era ainda maior que a formidável têmpera de sua espada invencível”, diz o texto.
No encerramento do documento, são citadas a estabilidade e a soberania nacional:
“Que a Legalidade, a Legitimidade e a Estabilidade continuem como valores centrais, sempre em respeito ao Povo e a nossa amada Nação. Lembremos que não há Liberdade sem Soberania, a qual para ser mantida, necessita de um Exército forte, capaz e respeitado”.
Eleições
O texto lido pelo comandante ainda citou, entre as atuações da Força, a “Garantia da Votação e Apuração”.
“Caxias Vive! Vive nas Operações de Garantia da Lei e da Ordem, na Segurança da Faixa de Fronteira, de Garantia da Votação e Apuração, de Distribuição de Água e Perfuração de Poços, de Construção de Estradas, Pontes e Ferrovias, de Preservação do Meio Ambiente, de Combate a Pandemias e de Apoio Emergencial em Desastres Naturais”, diz trecho do texto.
A frase pode estar ligada ao serviço que as Forças Armadas prestam de praxe em períodos eleitorais. Em 2018, o então comandante do Exército, general Eduardo Villas Bôas, também citou a participação militar nas eleições: “Há soldados trabalhando na nossa infraestrutura, na distribuição de vacinas, e na garantia da votação e apuração”.
O contexto atual, porém, é diferente dos demais pleitos eleitorais, que contaram também com a participação de militares durante as votações. Em movimento inédito, as Forças Armadas, amparadas pelo Ministério da Defesa, têm atuado na fiscalização das urnas eletrônicas, colocadas em xeque pelo presidente Bolsonaro, que possui relação íntima com os militares.
Estavam presentes na cerimônia ministros militares, como Paulo Sérgio Nogueira (Defesa) e Augusto Heleno (Gabinete de Segurança Institucional) e da ala política, como Ciro Nogueira (Casa Civil), Anderson Torres (Justiça e Segurança Pública), além do candidato a vice e ex-ministro da Defesa de Bolsonaro, general Walter Braga Netto (PL), e o ex-comandante Villas Bôas.
O presidente da República não discursou na solenidade, que também teve entrega da Medalha do Pacificador e da Medalha do Exército Brasileiro. Entre os agraciados, estavam ministros de Estado, como Marcelo Sampaio (Infraestrutura) e Célio Faria Junior (Secretaria de Governo). O evento contou ainda com um desfile na Avenida do Exército, com tanques de guerra, blindados e helicópteros.