Bolsonaro a presidente francês: “Seu Macron, o inverno está chegando”
Jair Bolsonaro. Foto: Hugo Barreto
Por Flávia Said
O presidente da República e candidato à reeleição, Jair Bolsonaro (PL), disse na sexta-feira (26/8) que a França começou a procurar o Brasil porque passou a enfrentar problemas internos. O país europeu é um dos mais críticos à política ambiental brasileira.
Citando inflação, seca e queimadas, Bolsonaro afirmou que o presidente francês, Emmanuel Macron “está com dificuldades”.
“Agora eles estão nos procurando. Nós demos um grande passo para o acordo Mercosul-União Europeia em 2019. E depois resolveram bater na gente pela questão aí ambiental. E agora, em desespero, porque a fome está chegando lá – já há desabastecimento, a inflação de alimentos está lá em cima… Eles vão passar fome, e infelizmente ainda no corrente ano”, afirmou Bolsonaro em entrevista ao Programa Pânico, da Jovem Pan.
“Querem acelerar esse comércio [entre] União Europeia e Mercosul. Estão vendo o Brasil como uma solução para sanar a fome deles, porque tem o problema lá com a Ucrânia, que, de uma hora para a outra, pode não sair mais nada.”
Em seguida, Bolsonaro mandou um recado ao líder europeu:
“E olha, seu Macron, o inverno está chegando. Vai ser muito pior do que essa onda de calor, esse verão que vocês estão sentindo agora aí na França”.
A relação entre Macron e Bolsonaro é marcada pela constante troca de farpas, em especial em razão da política ambiental brasileira, criticada pelo líder francês. Bolsonaro, por sua vez, acusa Macron de ter interesses escusos em relação à floresta brasileira.
Em transmissão ao vivo na noite de quinta-feira (25/8), Bolsonaro disse que problemas como a seca e incêndios “acontecem”. “Dizer ao prezado ministro [quis dizer presidente] Macron que isso acontece, então não estamos livres disso. Não continuem criticando o nosso país pela crítica para fazer uma política de seu interesse, contrário ao Brasil”.
Seca e queimadas
De acordo com dados de um relatório de agosto do Observatório Europeu da Seca, órgão da União Europeia, 47% da Europa está em condições de alerta, com claro déficit de umidade do solo, e 17% em estado de alerta, em que a vegetação é afetada.
“A severa seca que afeta muitas regiões da Europa desde o início do ano vem se expandindo e piorando desde o início de agosto”, afirma o relatório, acrescentando que a região mediterrânea provavelmente vai enfrentar condições mais quentes e secas que o normal até novembro.
As colheitas de verão foram fortemente atingidas pela seca recorde. Os rendimentos de milho em 2022 foram 16% menores do que a média dos cinco anos anteriores, e os de soja e girassol devem cair em 15% e 12%, respectivamente.
O problema se soma aos incêndios florestais no continente. Em agosto deste ano, a Europa registrou recorde de queimadas desde 2006, quando os dados de satélite começaram a ser coletados. Os incêndios destruíram 662.776 hectares de florestas em toda a União Europeia.
“Foto” na Amazônia
Segundo o jornalista Igor Gadelha, integrantes da campanha à reeleição de Bolsonaro articulam agenda eleitoral do presidente na Amazônia para as próximas semanas.
A ideia é que o atual chefe do Palácio do Planalto visite cidades da região e faça “fotos” e vídeos no local para serem explorados pela campanha.
Segundo estrategistas, a agenda servirá para atender à cobrança da comunidade e da imprensa internacional por um “gesto” de Bolsonaro à Amazônia.
Nos últimos dias, a campanha do atual mandatário recebeu contato de jornalistas de três países da Europa que estarão no Brasil para cobrir as eleições.
A Amazônia deve voltar ao foco do debate político nas próximas semanas, em razão do Dia da Amazônia, celebrado anualmente em 5 de setembro.