Após apoiar Lula, Amoêdo tem filiação suspensa pelo Novo, chama suspensão de “autoritária” e promete recorrer
João Amoêdo. Foto: PR/Marcos Corrêa
Por Paulo Moura
O Novo informou na quinta-feira (27) que decidiu determinar a suspensão imediata da filiação do ex-presidenciável João Amoêdo. A sigla não informou em detalhes quais foram os motivos que levaram a legenda a tomar a medida, mas ela vem alguns dias após Amoêdo anunciar que votará em Lula (PT) no segundo turno das eleições presidenciais.
De acordo com o Novo, a filiação foi suspensa enquanto Amoêdo é alvo de um processo disciplinar por “possíveis violações estatutárias”. O deputado federal Marcel van Hattem (Novo-RS) informou que a Comissão de Ética já havia enviado comunicado sobre a suspensão alegando “risco de dano grave e de difícil reparação à imagem e reputação do Novo”.
Amoêdo, que foi candidato à Presidência pelo partido em 2018, anunciou no último dia 15 de outubro seu apoio a Lula no segundo turno das eleições. O ex-presidenciável justificou que seu direito de fazer oposição estaria “mais preservado com Lula, que com Bolsonaro”.
A reação no partido após a fala, no entanto, foi de muita crítica. O atual presidente do Novo, Eduardo Ribeiro, chegou a dizer que a postura de Amoêdo era “vergonhosa”. No segundo turno, o Novo não se posicionou em apoio a nenhum dos candidatos, mas publicou uma nota na qual criticou o PT e o “lulismo”.
Amoêdo chama suspensão do Novo de “autoritária” e promete recorrer
João Amoêdo usou as redes sociais, na quinta-feira (27/10), para criticar a decisão do Novo que resultou na suspensão imediata de sua filiação do partido e pode resultar na expulsão da sigla. Ele reagiu dizendo ter recebido com “surpresa e indignação” a medida da legenda, após ter declarado voto no ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), no domingo (30/10).
Recentemente, a Comissão de Ética Partidária, por 4 votos a 3, aprovou a suspensão de Amoêdo e lhe concedeu 10 dias para apresentar defesa no processo de expulsão. Segundo o empresário, foi candidato do partido à Presidência nas eleições de 2018, três dos quatro membros que votaram pela suspensão foram incorporados à Comissão de Ética nas duas últimas semanas.
“Todos os mandatários que assinaram o pedido de suspensão e expulsão declararam voto em Bolsonaro no segundo turno, e um deles é coordenador estadual de campanha do presidente. O pedido dos mandatários solicitava que a suspensão fosse efetivada antes do pleito de domingo”, afirmou Amoêdo, um dos fundadores do Novo.
Amoêdo destacou que o próprio Novo, ao fim do primeiro turno, se posicionou em nota dizendo que não definiria apoio a nenhum dos dois candidatos à Presidência e que os filiados eram “livres para votarem de acordo com a sua consciência”.
“Após a minha declaração de voto, sofri ataques do partido, de alguns mandatários e do presidente da instituição. Estes são os fatos”, enfatizou, dizendo ser vítima de “movimento arquitetado para constranger outros filiados a não declararem seus votos, em processo autoritário que remete à atuação de Bolsonaro”.
Por fim, Amoêdo defende que vai apresentar a defesa ao comitê de ética do partido e tomará “medidas jurídicas adequadas para garantir o meu direito de me manifestar de acordo com a legislação brasileira e as regras internas do Novo”. O empresário completa reafirmando o voto em Lula no segundo turno.