“Sob o manto da liberdade, atacam a democracia”, diz Moraes

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Ministro Alexandre de Moraes, do STF Foto: Fellipe Sampaio/STF

Por Deborah Hana Cardoso

Alexandre de Moraes, ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) e presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), afirmou que, nos últimos tempos, houve um ataque contra a democracia, “sob o manto da liberdade de expressão”. O magistrado também criticou as redes sociais e ressaltou que o Congresso Nacional será essencial no combate à desinformação.

A declaração ocorreu na segunda-feira (14/11), durante o painel “Brasil e o respeito à liberdade e à democracia” no evento Lide Brazil Conference, em Nova York, nos Estados Unidos.

“Sob o manto da liberdade de expressão, querem atacar a democracia. A imprensa tradicional tem nome, tem responsabilidade e profissionais. A população não sabe mais a diferença entre o jornalista sério e o influencer. Não se sabe a diferença entre as informações verdadeiras e falsas e, depois, se ataca o sistema eleitoral”, declarou Moraes.

“Não é possível que as redes sociais sejam terra de ninguém. Não é possível que as milícias digitais ataquem as pessoas e as instituições, sem punição. Isso não é exclusivo do Brasil: começou nos Estados Unidos, foi para o Leste Europeu e chegou à América do Sul”, destacou.

“Aqui nos EUA atacam o voto impresso e, no Brasil, o voto eletrônico. Somos a quinta democracia no mundo. Não se atacam as urnas eletrônicas, mas todo o sistema político eleitoral para substituí-lo por alguma coisa”, criticou. “A democracia foi atacada e resistiu”, finalizou.

Ministros do STF

Dias Toffolli criticou duramente aqueles que se dizem “conservadores”, mas têm atitudes que não condizem com esse posicionamento. “Pessoas autoproclamadas ‘conservadoras’, aqui nos EUA, invadiram o Capitólio. Não há nada mais anticonservador do que invadir um Congresso”, avaliou.

“Pessoas param as rodovias no Brasil contra o resultado das eleições. Isso é não é ser conservador”, destacou. “O Brasil teve governos de centro, de esquerda, de direita e de extrema-direita. Nós temos anticorpos para esses governos, para saber o que dá certo e o que dá errado”, completou.

Luís Roberto Barroso iniciou o discurso afirmando que o Supremo é povo. “É um bordão, mas a voz do povo já foi ouvida nas urnas; agora, é respeitar”, reforçou.

“Todos os presidentes da República têm queixas contra o Supremo, isso é normal. [Os então presidentes] Lula tinha, Dilma [Rousseff] tinha até Michel Temer, aqui presente [no evento], também tinha, mas nenhum desses atacou o Supremo Tribunal Federal”, observou o magistrado. O comentário de Barroso faz referência aos ataques do presidente Jair Bolsonaro (PL) contra a Corte durante seu mandato.

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