Em entrevista ao jornal O Globo, no domingo (12/2), Pacheco disse que os juros no Brasil, de fato, estão em um patamar muito alto, mas rechaçou qualquer possibilidade de o Congresso derrubar a independência do BC – fazendo coro ao que já havia afirmado o presidente reeleito da Câmara dos Deputados, Arthur Lira (PP-AL).
“Interpreto as afirmações do presidente Lula em relação ao Banco Central como um descontentamento com a taxa de juros do Brasil. É um descontentamento geral, que imagino que seja também do próprio presidente do BC, Roberto Campos Neto”, afirmou o senador.
“A alta taxa de juros, que já vem desde o ano passado, é fruto de certa negligência em relação ao controle da inflação e do aumento de gastos públicos. Afirmações em relação às pessoas que compõem o Banco Central não contribuem. No final, o que temos que atacar são as causas da alta taxa de juros”, prosseguiu Pacheco.
“A autonomia do BC é um projeto aprovado pelo Senado e por ampla maioria na Câmara. Na sequência, houve uma discussão sobre a constitucionalidade do projeto no Supremo Tribunal Federal. Considero a mudança positiva. É muito mais importante identificarmos as causas do aumento da taxa de juros e buscarmos atacá-las do que a rediscussão da autonomia do BC. Não vejo ambiente para essa discussão. Para muitos, inclusive para mim, poderia representar um retrocesso no ordenamento jurídico brasileiro”, salientou o presidente reeleito do Senado.
Reforma tributária
Na entrevista, Rodrigo Pacheco demonstrou otimismo em relação ao avanço da reforma tributária no Legislativo.
Questionado se acreditava ser possível aprovar a reforma no primeiro semestre deste ano, como quer o governo, o senador disse que sim.
“O Parlamento já demonstrou que, quando quer, faz em até menos tempo. Embora seja complexa e a mais difícil, a reforma tributária já foi muito discutida ao longo de anos em diferentes comissões e audiências públicas. Considero a proposta bem debatida, muito proveitosa e absolutamente necessária. O mais importante agora é a decisão do Parlamento sobre qual reforma votar e como fazer”, concluiu.